quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Caso Motiva: Fim de papo?

Estudante bem comportado assume autoria das ameaças

Um estudante de 17 anos, bem comportado e com boas notas, apresentou-se espontaneamente à direção do Colégio Motiva Ambiental, em João Pessoa, nesta quarta-feira (26) para assumir a autoria das ameaças às pessoas do estabelecimento de ensino através do site de relacionamento Orkut.

A direção do colégio, no entanto, mantém a identidade do aluno sob sigilo. Segundo o proprietário da escola, professor Carlos Barbosa, na manhã da terça-feira, o estudante começou a enviar e-mails para o Motiva assumindo a autoria das ameaças.

Nesta quarta-feira, ele compareceu ao colégio. Estava visivelmente nervoso e abalado. Imediatamente foi levado para uma conversa com a psicóloga do colégio. Antes mesmo que lhe fosse feita alguma pergunta sobre o episódio, o estudante confessou que havia feito as ameaças.

Ele disse que usou capuz e armas de brinquedo para produzir as fotos de um rapaz com cartacterísticas de terrorista, que foram postadas. Alegou que há mais de doze anos vinha sendo vítima de apelidos, chacotas, e outros procedimentos de colegas que lhe deprimiam. Por isso, teve a atitude para chamar a atenção.

O Estatuto da Criança e do Adolescente não permite que o aluno seja expulso do colégio. A direção do estabelecimento e o Ministério Público ainda está discutindo o caso. De antemão, porém, o diretor Carlos Barbosa disse que ele será orientado a mudar de educandário para frequentar novo ambiente.

O pofessor Barbosa, aproveitou o ensejo para alertar as autoridades e pais sobre os riscos que a Internet pode causar quando mal utilizada.

Para a Polícia Civil da Paraíba, o caso continua sem solução. O Portal Correio fez contatos no início da noite com a Assessoria de Imprensa da Secretaria de Segurança Pública e foi infomado de que, para as autoridades policiais do Estado, o caso continua sem solução e ainda não há culpados.

A Asssessoria disse ter sabido que o Colégio Motiva teria apresentado um aluno como autor das ameaças, mas não informou nada à polícia nem prestou queixa.

Wellington Farias, com informações de Nelma Figueiredo, da TV Correio

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Dossiê: Caso Motiva

Desde a semana passada que ficou pública a ameaça feita contra os alunos do colégio Motiva, em João Pessoa, e publicada na Internet. Foi quando teve início um grande conflito: será um trote e nada deve-se fazer? Ou não, é sério e o caso pode se tornar um atentado violênto na escola?

A escola resolveu agir como se todas as ameaças pudesse se concretizar. Ministério Público mobilizado, polícias chamadas e até a colaboração de pais de alunos que são policiais federais entraram na busca por respostas.

A investigação segue e se você perdeu algum ponto dos acontecementos, confira aqui abaixo um rápido dossiê sobre o caso. De cima para baixo você pode ler da mais recente à mais antiga matéria sobre o caso publicada no Portal Correio.

É possível verificar, por exemplo o desencontro de informações que foram passadas aos jornalistas e perceber como a história é recontada e corrigida com o passar dos dias.
Como na primeira matéria, em que é anunciada a ação da Polícia Federal, que nunca esteve oficialmente ligada ao caso.

Caso Motiva: 25 de setembro de 2007

Ameaças ao Motiva podem ter sido de três alunos

A Secretaria de Segurança Pública confirmou, através de sua Assessoria de Imprensa, que a Polícia Civil atribui as ameaças feitas na internet a pessoas do Colégio Motiva Ambiental, em João Pessoa, a três alunos e não a só um, como se informou inicialmente. A SSP, no entanto, preferiu não avançar nas informações alegando que a divulgação poderia prejudicar o andamento das investigações.

O Portal Terra informou na tarde desta terça-feira (25) que o Ministério Público da Paraíba levanta as mesmas suspeitas. O Portal Correio, no entanto, não conseguiu manter contatos com os procuradores responsáveis pelo caso.

De acordo com o diretor do colégio, Karamuh Medeiros, as mensagens começaram a chegar por e-mail em agosto e, na última semana, foram divulgadas no site de relacionamentos Orkut. As ameaças foram feitas por uma pessoa que seria intitulada "Aluno Anônimo do Motiva". Segundo Medeiros, ele reclamava de sofrer abusos e violência dentro da escola, mas nunca citou nomes de quem estaria fazendo isso contra ele.

"Segundo o suposto aluno, ele era vítima de bullying - forma moderna de dizer constrangimento, humilhação - e determinou a execução de um projeto (para combater essa prática). Só que os e-mails tinham pensamentos equivocados", disse Medeiros, que afirmou que o discurso era muito específico, de imposição. Bullying compreende todas as formas de atitudes agressivas, intencionais e repetidas, que ocorrem sem motivação evidente.

O diretor informou que a escola já faz há anos um trabalho para combater este tipo de prática. "Temos um trabalho ao longo dos anos de valorização do ser humano". No fim de semana, a polícia fez uma varredura no prédio da escola em busca de possíveis bombas e armas, mas não encontrou nada.

De acordo com a secretaria, os pais dos adolescentes que estariam fazendo as ameaças já teriam sido contactados pela polícia, mas os alunos ainda não foram ouvidos, pois ainda falta uma prova técnica, que comprove os atos. Segundo as investigações, as ameaças "teriam sido uma brincadeira e os jovens queriam apenas dar um susto".

Segundo o diretor, a escola foi equipada com detectores de metais, que já estão em funcionamento. De acordo com ele, cada aluno abre a mochila espontaneamente. Ninguém teria se negado a passar pela revista.

A polícia considera uma violência psicológica o que os adolescentes fizeram. No entanto, a forma como os supeitos, menores de idade, irão responder a isso ainda será debatida com o Ministério Público.

Wellington Farias, com informações da SSP e Portal Terra

Caso Motiva: 25 de Setembro de 2007

Alunos são revistados em novo esquema de segurança

Revista com detectores de metais, seguranças e policiais à paisana fazem parte do esquema de segurança que teve início na manhã desta terça-feira (25) nos prédios do Colégio Motiva em João Pessoa. A ação vem em resposta a um perfil com ameaças criado no sítio de relacionamentos Orkut.

Alunos de todas as idades e seus acompanhantes passam por uma revista rápida, feita por dois seguranças que, com um detector de metais, verifica se há nos pertences algo que possa ser usado como arma. Pelo visto, a revista não incomoda, pelo contrário, traz segurança.

Na última quarta-feira, uma pessoa que usou o apelido (nickname, na linguagem de Internet) Aluno Anônimo do Motiva fez ameaças de, com armas de fogo, atirar em alunos e até se matar por conta de abusos sofridos supostamente dentro da escola. Nas fotos do perfil, o rapaz segurava armas como pistola e espingarda.

Pais de alunos, professores e funcionários vivem um clima tenso desde então. O Ministério Público, as polícias Civil e Militar foram chamadas e fizeram varreduras em todos os prédios e não acharam nada que pudesse ser usado num atentado.

A Polícia investiga a origem do perfil na Internet, que já foi retirado do ar, e, analisando as fotos, chegaram à conclusão que as armas são de brinquedo. "Segundo os especialistas, são réplicas", revelou um dos diretores do colégio, Carlos Barbosa.

Ele disse ainda que a escola conta agora com 26 seguranças e mais 15 policiais das polícias à paisana. "Estamos fazendo de tudo para garantir a segurança das cerca de 2500 pessoas que estudam e trabalham conosco", disse o diretor.

Carlos revelou ainda que a polícia desconfia que o perfil na Internet tenha sido criado por alguém que nem faz parte do corpo da escola. "Possivelmente é coisa de gente de fora da escola", disse.

O diretor disse também que como há filhos de policiais federais na escola, eles têm oferecido apoio logístico. "Informal, já que o caso está entregue à 3ª Delegacia Distrital, com o delegado Deusdete Filho", ressalvou.

Maurício Melo

Caso Motiva: 24 de Setembro de 2007

Escola adotará detectores de metais

O colégio Motiva Ambiental, em João Pessoa, adotará detectores de metais para garantir que nenhuma arma entre no prédio da escola. Esta foi uma das decisões tomadas na manhã desta segunda-feira (24) numa reunião entre a direção e os pais de alunos.

O diretor Karamuh Medeiros contou que todas as providências para garantir maior segurança já foram tomadas e questionado sobre se o caso trata-se de um trote ou não ele respondeu que “não se pode descartar nenhuma possibilidade, se há uma mínima possibilidade, um mínimo risco, vamos trabalhar para que não haja perigo”.

Além da investigação iniciada para descobrir quem é o Aluno Anônimo que postou as ameaças na Internet, o secretário de Segurança Pública do Estado, Eitel Santiago, esteve no colégio para oferecer apoio e a Polícia Militar fez revista nas dependências da escola.

“O Ministério Público, as polícias Civil, Militar e Federal foram chamadas e investigam o caso. A escola está fazendo tudo para garantir a segurança dos seus alunos”, contou Karamuh, que disse ainda que novos seguranças forma chamados para a escola e detectores de metais passarão a ser usados já amanhã.

Maurício Melo

Caso Motiva: 24 de Setembro de 2007

Polícia Federal faz busca em escola da Capital

Depois de ameaças feitas por um suposto aluno pela Internet na última quarta-feira(19), o colégio Motiva Ambiental, na Capital, passou por uma varredura completa no fim de semana. A Polícia Federal esteve na escola a procura de armas ou bombas escondidas, mas nada encontrou.

As ameaças foram feitas pelo site de relacionamentos, Orkut, na semana passada e deixou muitos pais preocupados. O intitulado Aluno Anônimo do Motiva reclamava de sofrer abusos e violência dentro da escola e de ter pedido, sem ser atendido, ajuda à direção do colégio.

No Orkut, as fotos eram de um jovem trajado com a farda do motiva e que empunhava uma pistola. Além disso, em seu perfil o suposto aluno ameaçava e já se desculpava "aos familiares das vítimas".

Na manhã desta segunda-feira a direção recebeu os pais de alunos em reunião para explicar todas as providências tomadas pela direção para garantir a segurança dos alunos e, atualmente, tanto a polícia quanto a escola acreditam que tudo não passou de um trote.

"Mesmo assim, a polícia vasculhou todas as unidades do colégio em Tambaú e no Miramar para garantir que nada está errado", revelou uma das coordenadoras que assegurou que todas as medidas de segurança estão sendo tomadas.

Além da varredura nos prédios da escola, a polícia trabalha agora tentando encontrar o rastro do suposto aluno na Internet. Mesmo tendo apagado o perfil, é possível rastrear e encontrar o autor.

Maurício Melo

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Burro?!?

Depois de a imprensa registrar o uso de tratores e caminhões para transportar crianças por todo o interior da Paraíba, em Campina Grande, o prefeito Veneziano está inovando com a contratação de carroças de burro para coleta de lixo.

Mas o impressionante não é o uso de carroças para este fim, e sim o valor empenhado para isso. Segundo o deputado Manoel Ludgério (PDT), o governo do cabeludo peemedebista paga por este seviço nada menos que R$ 50 mil por mês ao dono do animal que, por motivos óbvios, não se pode chamar de burro.

Ah, e tem mais! A Prefeitura campinense, com todo respeito ao time rubro negro, contratou e paga com verbas da educação a tal carroça para fazer coleta de lixo na zona rural do município. O deputado anunciou que vai encaminhar a denúncia ao Tribunal de Contas do Estado (TCE). Acho que ele vai exigir que pelo menos se use um cavalo puro sangue!

E só para registro, depois de ligar para vários telefones da prefeitura e não conseguir falar com ninguém, o motorista do prefeito me atendeu, mas disse não poder passar o telefone para o patrão por ele não estar por perto.

TRE considera Jota Júnior inelegível até 2009

O Tribunal Regional Eleitoral (TRE/PB) votou pela inegibilidade do prefeito de Bayeux, Jota Júnior. A Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) contra o prefeito de Bayeux foi votada na tarde desta segunda-feira (17).

Votaram a favor da inegibilidade de Jota Júnior os juízes João Benedito, Cristina Maria Costa Garcez, Renan Vasconcelos e Carlos Eduardo Leite Lisboa, o relator do processo. Votaram contra os juizes Nadir Valengo e Abrahan Lincoln.

O julgamento estava na pauta do TRE desde o dia 23 de agosto e teve desfecho depois de três adiamentos por pedido de vistas. O primeiro deles foi feito pelo juiz Nadir Valengo, que depois de tê-lo apresentado acabou votando pela improcedência total das acusações na sessão do dia 30 de agosto.

O segundo pedido, e mais recente, foi apresentado pelo juiz João Benedito. Na sessão de segunda-feira passada o juiz João Bendito votou pela procedência da acusação.

O prefeito Jota Júnior está sendo acusado de abuso de poder político nas eleições do ano passado, em favor do seu irmão, Carlos de Sousa, que saiu candidato a deputado estadual, através de uma representação movida pelo Ministério Público Eleitoral.

O relator do processo, o juiz corregedor Carlos Eduardo Leite Lisboa, acompanhou o parecer do Mistério Público Eleitoral pela inegibilidade de Jota Júnior por três anos. Cabe recurso.

Matéria de Patrícia Braz, do Portal Correio

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Uma imagem fala mais que mil palavras

A minha amiga Cláudia Carvalho publicou uma foto curiosa em seu Blog (Parem as Máquinas!). O autor da imagem é o bom e sempre atento Rizemberg Felipe. A foto sugere uma coisa que muita gente já vem dizendo, inclusive a minha boa mãezinha...

Cada um por si

O secretário de segurança do Estado, Eitel Santiago, afirmou na manhã desta terça-feira (11) em entrevista à Rádio CBN em João Pessoa, que a prefeitura foi negligente por não botar seguranças para proteger a balsa dos fogos.

Engraçado, posso estar enganado, mas acredito que a segurança é de responsabilidade do Estado. Mas seguindo o que sugere o secretário, é preciso que quem quiser segurança, contrate uma.

Assim, podemos traduzir a "política de segurança do Estado" como "é cada um por si!"

Leia a matéria publicada no Portal Correio clicando abaixo.
Eitel chama prefeitura de negligente e diz que investigações continuam

domingo, 2 de setembro de 2007

Meu primeiro Rali Off Road

Marinheiro de primeira viagem, me inscrevi no rali de jipes e caminhonetes, a Mitsubishi Motorsports 2007. Beleza, tudo normal, não fosse o fato de eu não ter um carros destes. Ah, mas até para isso tem solução. A assessora de imprensa e anjo da guarda dos jornalistas aventureiros, Giorgia Torello, me ofereceu um dos carros que acompanha o evento.

Assim, descobri que dividiria o carro com mais três colegas de trabalho. O bom Jamarrí Nogueira, que já tinha experiência em ralis e se tornou o nosso navegador, e o também estreante Ricardo Araújo que, por ter sido fotógrafo, cinegrafista e narrador do vídeo de nossa aventura, foi fundamental para manter o nosso passeio para sempre vivo.

A brincadeira começou com uma aula de navegação na noite anterior ao rali que me tirou o sono. Entre as explicações técnicas passadas pelo diretor da prova, Lourival Roudan, responsável pelas pistas que pegaríamos na manhã seguinte, ouvíamos piadas do tipo: “não esquece de olhar para frente que as vezes pode aparecer um precipício...”, ou “se o navegador ficar muito tempo calado, olha para ver se ele ainda está vivo”.

Por conta destas piadinhas fiquei imaginando por onde este camarada já teria passado. Descobri. Além das dezenas de corridas nacionais, Roudan já correu por quatro vezes na Paris – Dacar, uma que atravessa o deserto e vez por outra morre um. Daí vêm as histórias e “dicas” dele.

Outra preocupação me veio à mente. Nunca havia dirigido nem muito menos pilotado um carro com tração nas quatro rodas. Aliás, desconhecia os procedimentos e etiqueta para uso de veículos deste porte. Mas como que no filme Matrix, achei todos os conhecimentos necessários na Internet. Em minutos estava pronto.

Manhã da prova. Na mochila, além de água e biscoitos, canivete, apito e aulas de sobrevivência no mato. Eu sei que parece exagero, mas eu prefiro não dar mole. A adrenalina quando liguei o carro para partir era tão grande que quase me decepcionei quando vi a velocidade média da prova: 30 km/h.

Na fila de largada, eu confirmei a impressão tida na noite anterior: muitos competidores são tão amadores quanto eu, mas com a diferença de que eles são donos dos carros que estão usando. Essa parecia uma coisa boa para eles e ruim para mim, mas, depois do segundo grande solavanco eu vi que era o contrário.

Por se tratar de uma corrida de regularidade, vence quem tiver o tempo mais constante e mais próximo das especificações da planilha do navegador. Então, não adianta correr mais que os concorrentes, é preciso manter a velocidade constante e conseguir passar nos postos de conferência no tempo certo.

Mas voltando ao solavanco, depois do segundo dei graças por não estar no meu pobre carrinho e meus colegas concordaram. Ricardo disse que passaria a noite sem dormir se fosse seu carro e Jamarrí disse que pararia o carro e iria chorar na beira da estrada. Nesta consternação, nos perdemos. Não sei se passamos batidos por alguma referência ou se eu simplesmente desobedeci às ordens do navegador.

Foi ruim, ficamos desorientados, perdemos a trilha, perdemos as referências de nossa planilha, nos atrasamos em oito minutos. Foi bom, eu não sabia ainda se a tal Pajero TR4 conseguia passar dos 30 km/h, não na prática. Descobri. E mais, descobri que não só ela passava disso como eu sabia pilotá-la em velocidade maior. Ótimo, porque precisávamos tirar o atraso.

Ainda precisei escorregar um pouco numa curva para dominar a troca de tração nas rodas e tornar a direção maias segura. Demos nosso primeiro banho de lama no carro ainda com janelas abertas. Ricardo reclamou de terra no rosto, mas seguimos em frente. A questão é que atrasados, nossa corrida ganhou mais emoção, era uma festa.

Num intervalo, enfim tiramos o atraso e, melhor, descobrimos que muitos se perderam, inclusive alguns nos seguindo. Estávamos bem. Bem contentes pelo menos. Paramos e bebemos água, ouvimos navegadores reclamando com seus pilotos e vice versa. Uma das discussões foi mais legal, e começou por causa de um comentário meu:

- O carro de vocês está tão limpinho. Perguntei a um grupo que chegava todo atrasado.
- Esse cara está com pena do carro, reclamou o navegador do grupo apontando para o piloto e dono do carro que só balançou a cabeça resignado.

Ofereci o carro da minha equipe para que eles tirassem fotos, mas eles não gostaram da idéia. Resmungaram algo e saíram.

Na hora de voltar à corrida, recebemos a visita e o apoio do experiente piloto de rali em duas rodas, Silvano Soares, que veio nos dar uma força. Já estávamos todos aquecidos, claro que só no sentido de estar prontos para a relargada, porque o carro ficou sempre no ar-condicionado depois do banho de lama no nosso foto-cinegrafista.

Lembrei das trilhas que já fiz de bicicleta e de trekking. Esforço físico, suor, canseira, sede, nada disso aconteceu nas três horas de prova que nos levou de João Pessoa a Praia Bela, no Litoral Sul da Paraíba. É outro tipo de emoção. Muito boa, é verdade, mas muito cara, uma vez que é preciso ter um Mitsubishi para participar.

Voltamos à pista e desta vez com ajuda profissional. Agora éramos quatro. Mas tínhamos um problema. Todos, inclusive o piloto que vos escreve, davam pitacos e sugestões ao navegador que ficou louco e se perdeu. Aliás, eu me perdi. Chegou uma hora em que todos falávamos ao mesmo tempo e eu seguia em frente.

O resultado é que nos perdemos de novo. Desta vez num loteamento com mato alto. Em algumas horas eu achava que estávamos certos aí passava um nativo e nos dizia que nunca tinha visto um carro daqueles. Ou seja, caminho errado, porque devíamos ser o centésimo carro daqueles na fila de saída.

Rodamos, rodamos e rodamos. De repente, vários minutos depois, achamos o caminho de novo e estranhamente estávamos no tempo certo. A partir dali, fizemos todos os tempos certinhos e seguimos até o fim da prova com tranqüilidade. Com certa tristeza e saudade devolvemos o carro à organização do evento.

Não posso falar pelos meus colegas, de quem espero não ter judiado demais, mas para mim foi uma ótima experiência que eu pretendo não deixar se tornar única. A prova é segura. Dividida em categorias para abranger os vários níveis de pilotos, agrada tanto quem vai passear quanto quem vai competir. No meu caso, como acabamos cortando caminho depois de nos perder, fomos desclassificados e ficamos junto com os 200 carros que não estavam na lista dos 10 melhores. Mas ano que vem será diferente!