sábado, 28 de agosto de 2010

Qual a função de um jornalista?



Há dois dias, enquanto colhia depoimentos e fazia imagens de uma vila que nascera dentro do galpão de uma antiga fábrica, me peguei explicando para uma mãe aflita, como as reportagens eram feitas a partir de casos e problemas emblemáticos que envolvessem uma comunidade ou grupo maior. E como os problemas “particulares” ficavam de fora.

Naquele momento eu pensava pragmaticamente. “Se este problema atinge apenas a senhora e seus filhos, uma matéria de TV seria usar do pouco tempo que dispomos para ajudar a poucas pessoas. Normalmente procuramos problemas mais gerais para ajudar mais gente”, expliquei.

Claro que emocionalmente não sinto assim. Tanto que deixei meus contatos e pretendo ajudar, não como jornalista, mas como cidadão, aquela mulher que, sem casa para morar, sem documentos e já sem esperança procura um repórter ao invés do poder público.

Mas voltando às funções. Na prática, será que nós, comunicadores, fazemos isso mesmo? Guardamos nosso espaço e tempo na mídia para ajudar sempre a coletividade? Será que aproveitamos ao máximo nosso privilegiado lugar de visibilidade?

Outra situação conflituosa. No mesmo local citado acima, crianças brincam descalças e até nuas num local sujo e sem segurança. O que fazer? Registrar apenas? Conversar sobre o que acontece com os pais? Tomar providências para tirá-las de lá e talvez até de seus pais?

Nada do que apresento aqui é novo. Nem a situação penosa destas pessoas, nem os conflitos apresentados. Só o que posso garantir é que nem o tempo tem conseguido resolver estas questões.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Samba do crioulo doido (os vira-casaca)

Ao longo da história da política paraibana são muitos os candidatos que já mudaram de lado. Pessoas que apoiavam um político e que por conveniência mudaram drasticamente suas convicções. Assim, o portal Paraíba1 fez um levantamento sobre quem são os detentores de cargos eletivos que são novamente candidatos em 2010 que mais mudaram de lado ao longo de suas trajetórias políticas.

Foram listados aqueles que já mudaram mais de uma vez. Que eram de um grupo, passaram para outro e depois voltaram para onde estavam. Ou então que passaram a apoiar um terceiro grupo.

Ficaram de fora da lista, portanto, alguns casos emblemáticos da política paraibana, que mesmo assim valem ser citados. Como o caso do deputado federal Manoel Júnior (PMDB), que em 2004 foi eleito vice-prefeito de Ricardo Coutinho (PSB), mas que hoje é adversário do socialista. E como o caso da deputada estadual Nadja Palitot (PSL), responsável por dar legenda a Ricardo no PSB quando este se desfiliou do PT e que atualmente é uma das mais ferozes críticas do ex-prefeito.

Os próprios candidatos ao Governo da Paraíba têm casos curiosos. Ricardo Coutinho no passado já foi um crítico feroz tanto de Maranhão como do ex-governador Cássio Cunha Lima (PSDB). Mas foi eleito prefeito em 2004 com o apoio de Maranhão e em 2010 disputa o Governo contra Maranhão com o apoio de Cássio.

O peemedebista, por outro lado, já foi candidato a vice-governador na mesma chapa em que tinha Ronaldo Cunha Lima (PSDB) como candidato a senador e na época foi opositor do casal Wilson e Lúcia Braga, que hoje são aliados de Maranhão. Ele também já foi aliado de Ricardo Coutinho, hoje seu principal adversário.

A seguir, os principais vira-casaca da política paraibana:

Aguinaldo Ribeiro e Daniela Ribeiro (PP) – candidatos respectivamente a deputado federal e deputada estadual - Adversários históricos da família Cunha Lima em Campina Grande, eles aderiram ao ex-governador Cássio Cunha Lima (PSDB) na campanha de 2004 à Prefeitura campinense. Defendiam a candidatura de Ricardo Coutinho (PSB) ao Governo da Paraíba, mas no último momento aderiram ao governador José Maranhão (PMDB).

Nivaldo Manoel (PMDB) – candidato a deputado estadual - Foi aliado de Cássio Cunha Lima (PSDB) quando este era governador da Paraíba, mas foi um dos primeiros parlamentares à aderirem ao governador José Maranhão (PMDB) quando este chegou ao poder em fevereiro de 2009. Chamou a atenção a frase que o parlamentar usou para justificar a mudança: “Não sei viver longe de quem governa”.

Pedro Medeiros (PSDB) – candidato a deputado estadual - Com mais de 20 anos de atuação parlamentar, sempre esteve ao lado de quem governa. Nos últimos dez anos, foi da base aliada de José Maranhão e de Roberto Paulino (ambos do PMDB) e depois de Cássio Cunha Lima (PSDB). Depois da cassação de Cássio permaneceu na oposição, já que era suplente, mas quando voltou à condição de titular do mandato após a renúncia do então deputado Arthur Cunha Lima, migrou rapidamente para Maranhão.

Armando Abílio (PTB) – candidato a deputado federal - O parlamentar era em 2006 aliado do então governador Cássio Cunha Lima (PSDB) e do senador Cícero Lucena (ambos do PSDB). Rompeu com Cícero e ainda em 2007 foi um dos primeiros políticos paraibanos a defender uma aliança de Cássio com o então prefeito pessoense Ricardo Coutinho (PSB). Depois, rompeu com Ricardo e passou a apoiar a candidatura do governador José Maranhão (PMDB) ao Governo. Por mais contraditório que possa parecer, promete votar em Maranhão e em Cássio agora em 2010.

Damião Feliciano (PDT) – candidato a deputado federal - Nas eleições de 1998 apoiou o governador José Maranhão e foi seu aliado durante sua gestão. “Agradeço minha vitória a Deus e a Maranhão”, disse na época. Perdeu as eleições de 2002, mas assumiu a secretaria de Ciência e Tecnologia do Governo Cássio. Eleito deputado federal em 2006, permaneceu na base aliada de Cássio, mas por várias vezes ameaçou aderir a Maranhão após a cassação do tucano. Acabou no prazo limite declarando voto ao ex-prefeito Ricardo Coutinho (PMDB) ao Governo da Paraíba.

Marcondes Gadelha (PSC) – candidato a suplente de senador - O deputado federal foi eleito em 1998 na base aliada do governador José Maranhão (PMDB). Em 2002 perdeu as eleições, mas assumiu o mandato na condição de suplente graças à intervenção do recém-eleito Cássio Cunha Lima (PSDB), a quem passou a apoiar. Com a morte do deputado Adauto Pereira ele reassumiu a titularidade do mandato e imediatamente voltou à apoiar Maranhão.

Wellington Roberto (PR) – candidato a deputado federal - Era suplente do então senador Humberto Lucena (PMDB) e assumiu a titularidade do mandato com a morte do ex-presidente do Congresso Nacional. Foi eleito deputado federal em 2002 e foi durante muito tempo aliado do governador Cássio Cunha Lima (PSDB). Com a cassação do tucano, migrou rapidamente para a basa aliada de Maranhão.

Wilson Braga (PMDB) – candidato a deputado estadual - Ex-governador da Paraíba e ex-prefeito de João Pessoa, Wilson era um dos mais contundentes adversários da família Cunha Lima. Foi derrotado por Ronaldo Cunha Lima na disputa para o Governo da Paraíba em 1990 e apoiou a esposa Lúcia Braga na disputa ao Governo em 1994, quando Antônio Mariz foi eleito (o vice de Mariz na época era José Maranhão). Em 2002, contudo, disputou vaga no Senado Federal na chapa de Cássio Cunha Lima (PSDB), mas após ser derrotado acusou Cássio e Efraim Morais (DEM) de traição e aderiu a Maranhão (PMDB).

Tavinho Santos (PTB) – candidato a suplente de senador - O vereador era aliado de Cássio Cunha Lima e do então prefeito Cícero Lucena, de quem inclusive foi secretário municipal. Votou em Ruy Carneiro (PSDB) para prefeito de João Pessoa em 2004, mas rapidamente passou para a base de apoio do vitorioso na disputa, Ricardo Coutinho (PSB). Chegou a defender a aliança entre Ricardo e Cássio para o pleito de 2010, mas após ser derrotado nas urnas em 2008 passou a defender a cassação do tucano, já que seria beneficiado com a ida do então vereador Luciano Cartaxo (PT) para a vice-governadoria. Foi líder de Ricardo na Câmara de João Pessoa até pouco tempo antes de aderir a Maranhão.

O texto original de Phelipe Caldas foi publicado no Blog da Redação do Paraíba1 em 19/08/2010.

domingo, 15 de agosto de 2010

Carreatas atrapalharam o trânsito e a vida dos eleitores

Não bastasse o óbvio incômodo que dezenas de carros andando a baixíssima velocidade gera no trânsito das principais avenidas da cidade, o desrespeito das leis de trânsito e o abuso do álcool potencializam os riscos de quem participa das carreatas eleitorais e de quem é obrigado a dividir a via com elas.



Não entendo como uma carreata ajuda em uma campanha, talvez por isso não entenda o que faz uma pessoa pegar seu carro e submetê-lo a algo tão danoso quanto isso.



Também não entendo é por que nas carreatas se pode tudo. Motoristas bebendo enquanto dirigem, pessoas sendo carregadas na carroceria de caminhões, caminhonetas e pickups ou até nas janelas de carros sem carroceria, tudo isso é facilmente visto neste "passeio de divulgação", algumas vezes até escoltado por agentes da Sttrans.

Outra coisa curiosa que acontece em tempos de campanha eleitoral é a "reserva de combustível". Alguns postos param de vender gasolina e álcool por já terem vendido previamente todo seu estoque para motoristas que, com vales, irão abastecer seus carros num dia específico.

Não admira que, em anos anteriores as carreatas tenham registrado acidentes gravíssimos que geraram feridos e até mortes aqui na Paraíba. O que admira, isso sim, é que mesmo assim, mesmo com toda esta loucura gerada por este tipo de campanha, ainda seja permitido que elas aconteçam sem nenhum tipo de fiscalização.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

William Bonner e a nova arte de entrevistar

Impressionante está sendo acompanhar as entrevistas dos candidatos à presidência na Globo. É um show de vaidades onde as perguntas são mais importantes que as respostas. Mas infelizmente mostra um padrão bastante difundido pela imprensa brasileira, em que os jornalistas buscam meras confirmações para suas opiniões e, quando a entrevista é ao vivo, como no caso que motivou este post, se o entrevistado não responder como o entrevistador quer, ele será interrompido e até advertido.

Pois bem, na minha época (ou talvez eu esteja apenas querendo confirmar minha opinião) o repórter, ou o publicitário âncora de telejornal, deveria fazer a pergunta e permitir que o entrevistado se expressasse, mesmo que isso contrarie o que ele esperava receber como resposta. Aliás, se fosse para saber o que o entrevistador acha sobre o entrevistado, o candidato não precisava nem participar!

Outra coisa que o homem que escolhe gravatas pelo Twitter deixou clara neste ciclo de entrevistas é sua luta particular contra o Partido dos Trabalhadores. O camarada queria usar o tempo da candidata Marina Silva para que ela falasse mal do PT. E o pior é que a "coitada" só queria falar de suas propostas. A que ponto chegamos...