sexta-feira, 28 de março de 2008

Cuba: blogueiros se esforçam para ter acesso à rede

Por Observatório de Imprensa

Quando a cubana Yoani Sanchez quer atualizar seu blog, Generación Y, ela se veste como turista e entra disfarçada em um hotel de Havana, cumprimentando os funcionários em alemão - só assim Yoani pode acessar a rede, pois a internet nos hotéis é para uso exclusivo de estrangeiros. Em um dos posts recentes, a blogueira descreve a censura em seu país: há um grande número de policiais nas ruas de Havana checando documentos e revistando bolsas em busca de produtos vendidos no mercado negro.

Yoani é um dos exemplos de blogueiros independentes em Cuba que se esforçam para driblar o controle governamental e divulgar ao mundo notícias do país dominado por um único partido, o Comunista. "Estamos aproveitando que os hotéis não são monitorados. Eles não podem controlar a internet aqui", conta ela. Ainda assim, manter um blog não é tarefa fácil. Quando Yoani está dentro do hotel, ela tem de ser rápida - não por medo de ser pega, mas porque o acesso é caríssimo. Para ficar uma hora online, ela tem de desembolsar US$ 6, o que equivale a duas semanas de salário.

Missão (quase) impossível

Os blogueiros independentes ainda têm de hospedar seus sítios em servidores fora de Cuba e contam com mais leitores estrangeiros do que dentro do país - o que não é surpreendente, pois apenas 200 mil cubanos, ou 2% da população, têm acesso à rede. O índice é o mais baixo de toda a América Latina, segundo a União Internacional de Telecomunicações, organização internacional destinada a padronizar e regular as ondas de rádio e telecomunicações internacionais. Apenas funcionários do governo, acadêmicos e pesquisadores têm permissão para ter e-mails, que são fornecidos pelo próprio governo. Os cidadãos comuns podem abrir e-mails apenas em terminais disponíveis nos correios, de onde também podem acessar a rede - porém só são liberados os sítios cubanos.

O governo cubano coloca a culpa do acesso limitado nas sanções americanas que impedem que o país se conecte com cabos de fibra ótica submarina. Por isso, Cuba alega ser obrigada a usar conexões via satélite de países como Canadá, Chile e Brasil - que são bem mais caras. No entanto, críticos afirmam que isto é apenas um pretexto para manter o controle da rede, uma ferramenta importante que alguns especialistas comparam ao fax que espalhou informações cruciais para o desmantelamento da União Soviética. Informações de Esteban Israel [Reuters, 9/10/07].

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Gosto da história de Fidel, gosto de ver um povo que era nada hoje ter educação, saúde e cultura própria. Mas detesto censura e o militarismo.

Para ter acesso ao blog de Yoani, clique aqui.

sexta-feira, 21 de março de 2008

Paulo Henrique Amorim, demitido do IG, consegue recuperar arquivo

Eu acabo de conversar com o jornalista Paulo Henrique Amorim (foto) que foi demitido do ig.com.br, onde tinha um blog por meio do qual criticava duramente a chamada grande imprensa nacional e, também, o investidor Daniel Dantas, a quem acusa, juntamente com alguns Fundos de Pensão e a Brasil Telecom, de responsáveis diretos pela sua demissão.

Hoje, Paulo Henrique obteve um mandado de segurança e, pessoalmente, acompanhado de um oficial de justiça, recuperou junto ao IG todo o conteúdo de seu blog, que está hospedado agora no seguinte e novo endereço: www.paulohenriqueamorim.com.br PH - como Paulo Henrique é conhecido na comunidade de imprensa - foi meu editor-chefe no Jornal do Brasil, nos anos 70. Disse-me ele que vai dobrar seu esforço no sentido de continuar denunciando as ações do que chamou de “uma Camorra” (braço napolitano da Máfia napolitana, famoso e temido por sua infiltração e atuação no meio urbano).

“Eles tentaram fazer o meu desaparecimento profissional, pois simplesmente o IG, além de demitir-me sumariamente, sem qualquer aviso prévio, fez sumir todo o meu trabalho ao longo dos últimos anos nesse site. Felizmente, a Justiça concedeu-me um mandado e eu pude recuperar tudo o que produzi e publiquei lá”, disse PH, que se declarou tranquilo. Ele admite também que, por trás de sua demissão, está também o governador de São Paulo, José Serra, que teria feito pressão junto à direção do IG.

Egídio Serpa, do Diário do Sertão

segunda-feira, 17 de março de 2008

Por onde andará a ONU

Venho me perguntando por onde andará a Organizações das Nações Unidas, a ONU, que não vêem o que acontece em determinados lugares. Que eles fecham os olhos para o que o dono do mundo Bush faz todo mundo já sabia.

Mas quantos tibetanos precisarão ser mortos até que se faça alguma coisa por eles?

Centenas de mortos em distúrbios no Tibete, de acordo com Parlamento no exílio

DHARAMSALA, Índia, 17 Mar 2008 (AFP) - Centenas de pessoas morreram nos protestos de Lhasa e outras cidades da região chinesa do Tibete, denunciou nesta segunda-feira o Parlamento tibetano no exílio em Dharamsala (norte da Índia).

"O fato de vastas manifestações que começaram no dia 10 de março na capital Lhasa e em outras regiões do Tibete terem provocado a morte de centenas de tibetanos pelo uso da força (...) deve chamar a atenção das Nações Unidas e da comunidade internacional", afirmou o Parlamento no exílio em um comunicado.

O documento foi emitido em Dharamsala, local de exílio do Dalai Lama, líder espiritual dos budistas tibetanos, e sede do governo e do Parlamento tibetanos no exílio.

Segundo o comunicado, os líderes tibetanos no exílio formaram um "comitê de vigilância da informação" para reunir informações procedentes do Tibete, território que a China colocou sob rígidas medidas de segurança após uma onda de protestos e distúrbios no final da semana passada.

O comunicado não forneceu maiores detalhes sobre o registro de mortos.

Colaboradores do Dalai Lama haviam afirmado no domingo que haviam confirmado a morte de 80 pessoas nos distúrbios, mas disseram temer que o número de mortos seja muito maior. Samdhong Rinpoche, primeiro-ministro do governo tibetano no exílio, também pediu uma intervenção internacional.

"Pedimos à comunidade internacional e às Nações Unidas que enviem delegações ou comissões ao interior de Tibete", afirmou durante a entrevista coletiva à imprensa para a divulgação do comunicado do Parlamento no exílio.

domingo, 16 de março de 2008

Fotos da nossa história

Protesto silencioso

Thich Quang Duc, nascido em 1897, foi um monge budista vietnamita que se sacrificou até a morte numa rua movimentada de Saigon em 11 de junho de 1963. Seu ato foi repetido por outros monges. Enquanto seu corpo ardia sob as chamas, o monge manteve-se completamente imóvel. Não gritou, nem sequer fez um pequeno ruído.

Thich Quang Duc protestava contra a maneira que a sociedade oprimia a religião Budista em seu país. Após sua morte, seu corpo foi cremado conforme à tradição budista. Durante a cremação seu coração manteve-se intacto, pelo que foi considerado como quase santo e seu coração foi transladado aos cuidados do Banco de Reserva do Vietnã como relíquia.

Foto retirada do blog Papo de Bar

sábado, 15 de março de 2008

Protestos contra domínio chinês deixam 10 mortos no Tibete

Pelo menos dez pessoas morreram durante os protestos que ocorreram na sexta-feira contra os mais de 50 anos de domínio chinês no Tibete, segundo informações da agência de notícias estatal chinesa Xinhua.

De acordo com a agência, os mortos eram "civis inocentes que queimaram até morrer". Entre os mortos estavam dois funcionários de um hotel e dois comerciantes.

Neste sábado o clima era de calma, depois que manifestantes liderados por monges e forças de segurança entraram em confronto em Lhasa, capital do Tibete.

As autoridades chinesas disseram que vão "reagir com firmeza" caso novos protestos voltem a ocorrer nas próximas horas. Elas ainda negaram que a polícia tenha atirado contra manifestantes que atearam fogo em lojas de proprietários chineses.

De acordo com o correspondente da BBC em Pequim, Dan Griffiths, um homem teria tentado entrar no prédio da BBC na capital chinesa neste sábado com fitas contendo cenas da violência registrada na sexta-feira, mas foi impedido por guardas chineses.

O correspondente diz não saber para onde o homem foi levado e o que "poderá acontecer com ele".

Dalai Lama
Os violentos choques da sexta-feira encerraram uma semana inteira de manifestações contra a China. Os protestos têm sido apontados como os maiores e mais violentos dos últimos 20 anos no Tibete.

Os manifestantes perseguiram chineses que vivem na cidade, acenderam fogueiras para incendiar seus pertences, realizaram saques e queimaram lojas.

De acordo com testemunhas, os manifestantes assumiram o controle do centro velho da cidade de Lhasa.

As autoridades chinesas acusaram o líder espiritual do Tibete, o Dalai Lama, de organizar os protestos.

"Houve suficientes sinais que provam que a recente sabotagem em Lhasa foi organizada, premeditada e planejada pelo bando do Dalai", diz uma mensagem do governo regional do Tibete divulgada pela Xinhua.

Um porta-voz do líder espiritual tibetano rebateu a declaração e disse que as acusações são "totalmente infundadas".

Mais cedo, o Dalai Lama divulgou uma mensagem em que manifestou preocupação com os recentes episódios de violência no território.

O líder espiritual, que na Índia lidera o governo tibetano no exílio, pediu que o governo chinês "pare de usar a força e inicie um diálogo com o povo tibetano para minimizar o ressentimento há muito crescente".

"Eu também peço a meus colegas tibetanos que não façam uso da violência", completou o Dalai Lama.

Adesão
Os protestos começaram como uma reação à notícia de que monges budistas teriam sido presos depois de realizar uma passeata para marcar os 49 anos de um levante tibetano contra o domínio chinês.

Centenas de monges tomaram então as ruas, e os protestos ganharam força nos últimos dias, com a adesão de pessoas comuns.

Outros protestos foram registrados inclusive fora do Tibete - há informações de que centenas de monges realizaram uma marcha na província chinesa de Gansu, e, na Índia, a polícia prendeu cerca de 25 pessoas que tentaram invadir a embaixada chinesa em Déli.

Autoridades de países europeus e em Washington pediram que a China seja tolerante com os manifestantes.

Em um comunicado, Louise Arbour, a alta comissária da ONU para direitos humanos, também pediu a Pequim que "permita que os manifestantes exercitem seu direito de liberdade de expressão e reunião, sem fazer qualquer uso excessivo da força na manutenção da ordem".

Da BBC Brasil

(achei que valia o registro)

quinta-feira, 6 de março de 2008

Cássio se irrita com discurso e exonera oficial da PM

A exoneração do coronel PM Lima Irmão da chefia da Casa Militar do governador pode acontecer um dia após a sua nomeação, porque o oficial teria irritado profundamente o governador Cássio Cunha Lima (PSDB) durante a solenidade de transmissão de cargo de comandante geral da Polícia Militar para o também coronel PM Kelson Chaves.

Segundo fonte da Secretaria de Segurança Pública, o governador deu a ordem de demissão ainda durante o evento, realizado nesta quinta-feira (6) na Praça do Povo do Espaço, em João Pessoa. Cássio teria decidido exonerar o coronel antes mesmo de acabar o discurso de despedida de Lima Irmão, "um pote até aqui de mágoa" por não ter conseguido se manter no cargo que ocupava desde janeiro de 2003.

Cássio ficou tão aborrecido que também teria ordenado desligar o som do microfone no qual o ex-comandante despejava ressentimentos por estar entregando a Kelson uma Polícia que diz ter encontrado completamente sucateada, desestruturada e desmotivada. Além do mais, o coronel teria ficado ainda mais magoado por ter que passar o comando a um desafeto, a quem atribuiria inúmeradas tentativas de lhe puxar o tapete nos últimos cinco anos.

A exoneração de Lima Irmão do Gabinete Militar não foi confirmada oficialmente. Segundo a fonte da SSP, "só será possível ter certeza do ato quando e se sair a publicação no Diário Oficial", não descartando também a possibilidade de o governador mudar de idéia, a pedido de membros da família Cunha Lima que apadrinhariam o ex-comandante.

Entre os parentes do governador que pediriam por Lima Irmão, o pai (Ronaldo Cunha Lima) e a mãe (Dona Glória) de Cássio, a quem o coronel manifestou enfático agradecimento durante o discurso que pode ter lhe custado o cargo de secretário-chefe da Casa Militar.

A assessoria da Polícia Militar da Paraíba foi procurada e disse que nenhuma informação relacionada à exoneração do ex-comandante foi passada e que no Comando ninguém estava sabendo de tal coisa. O próprio Lima Irmão foi contatado e informou que não havia sido avisado sobre sua suposta exoneração. No entanto, sem demonstrar muita surpresa, disse apenas: "Vamos para frente, deixa acontecer".