quarta-feira, 23 de abril de 2008

Jogo dos quantos erros?

No meu primeiro dia depois das férias recebi dois releases sobre o mesmo caso. Um tem, supostamente, a mesma história que o outro, portanto, sugiro que vocês leiam os dois e vejam se encontram alguma diferença, uma vez que o segundo veio com o "selo" Revisado.

MATÉRIA ORIGINAL

Aposentado é preso após tentar matar duas pessoas em Queimadas

Francisco Bezerra da Silva, de 74 anos, foi detido sob a acusação de, na manhã desta terça-feira, ter efetuado diversos disparos de arma de fogo contra duas pessoas no bairro da Liberdade.

As vítimas foram o comerciante Joab Queiroz Santos, 26 anos, e o vigilante José Roberto Lopes de Aquino, 25 anos.

Avisada de que o aposentado pretendia fugir para a cidade de Campina Grande, a polícia iniciou diligências e conseguiu detê-lo ainda em Queimadas. Com ele, foram encontrados dois revólveres calibre 38 e oito munições, sendo uma deflagrada.

Francisco Bezerra foi encaminhado para a delegacia da cidade, onde foi apresentado ao delegado Marcos Paulo Sales de Castro.

MATÉRIA REVISADA

Segurança tenta matar comerciante por ciúmes

O segurança José Roberto Lopes de Aquino, de 25 anos, foi preso depois de atirar três vezes contra o comerciante Joab Queiroz Santos, de 26 anos, ex-marido de sua mulher, Maria Isabel de Morais, de 23. O fato aconteceu por volta das 9hs da manhã da terça-feira (22), no bairro da Vila, na cidade de Queimadas.

Segundo informações passadas pela Secretaria de Segurança, dos disparos, dois atingiram a face de Joab e o terceiro feriu as duas pernas do aposentado Francisco Bezerra da Silva, de 74 anos, que passava no local no momento do crime.

O acusado fugiu para a cidade de Campina Grande onde foi localizado e preso, no bairro da Liberdade, pela Policia Militar. Em seguida, foi encaminhado para a delegacia de Queimadas, onde foi apresentado ao delegado Marcos Paulo Sales de Castro.

José Roberto contou que o comerciante não estava pagando a pensão alimentícia do filho de dois anos e meio que tem com a ex-mulher e ainda estava querendo ficar com a criança com muita insistência, inclusive chegando a discutir com a ex-mulher, isto provocou discussões e culminou com a tentativa de homicídio.

terça-feira, 15 de abril de 2008

Exclusão de jornalista foi um equívoco, disse secretário

"O secretário de Comunicação do Estado, Solon Benevides, disse que o governo do Estado não proíbe a entrada de jornalistas do Sistema Correio nas entrevistas e eventos do governo. Segundo ele, o que houve na manhã desta segunda-feira (14) com a jornalista Michelle Sousa, na Granja Santana foi um equívoco." (Leia o texto completo do Portal Correio clicando aqui.)

Claro que foi um equívoco. Claro que isso além de criminoso é muito pouco inteligente. Não sei quem teve esta idéia, mas é o tipo de ação tomada de arroubo, sem pensar. Aliás, parece coisa de menino birrento.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Censura e boicote à imprensa na Paraíba

Depois da proibição do Sistema Correio publicar fatos relacionados ao inquérito policial do Caso Concorde, determinada pelo juiz Aluízio Bezerra, da 64ª Zona Eleitoral de João Pessoa, o Estado resolveu fechar as portas para o Correio.

Na manhã desta segunda-feira (14) uma equipe da empresa foi barrada na porta de uma coletiva de imprensa na Granja Santana, residência oficial do governador. Segundo a portaria, os repórteres do Correio não estariam na lista de convidados. Leia mais sobre isso clicando aqui.

O caso Concorde é aquele em que a Polícia Federal foi investigar a compra de votos e, quando tentava entrar num escritório, uma caixa cheia de "santinhos" e dinheiro foi jogada pela janela do prédio. Leia mais sobre este caso Concorde clicando aqui.

terça-feira, 8 de abril de 2008

Lá vamos nós de novo

A imprensa, não só a do Brasil, adora encontrar culpados para tudo. Alguns chamam de jornalismo investigativo. Eu chamo de irresponsabilidade. Quantos e quantos casos nós assistimos todos os dias de pessoas que são de fato acusadas, mas são tratadas e apresentadas como culpadas pela imprensa.

O caso da menina Isabella Nardoni, de 5 anos, é mais um destes casos em que a sede por responsabilizar alguém, a sede de que a justiça seja feita, ou mesmo a promessa de audiência certa, traz danos aos envolvidos. Aqui, o pai da vítima, Alexandre Alves Nardoni, é tratado como principal suspeito, ao menos pela imprensa.

Poderia lembrar de diversos histórias em que os suspeitos foram “culpados” pela opinião pública incentivada pela imprensa e o que teve final trágico. E não preciso ir longe, nem no tempo nem no espaço. Aqui mesmo na Paraíba, no jornal em que trabalho, certa manhã, me deparei com uma capa que tinha a foto de um senhor ao lado de uma menina de oito anos.

A identidade da criança foi preservada com um desfoque em seu rosto, mas o do seu pai estava visível, em destaque, lembro que era a capa do jornal, e tinha uma legenda: “Seu Antônio é acusado de estuprar a própria filha”. Se a capa diz isso, o que mais há para ser lido ou julgado? Para muita gente já se tornou verdade.

Não acreditei no que via. Na matéria dizia que nem ao menos havia uma queixa prestada contra o sujeito. Uma vizinha o tinha acusado e o ministério tinha iniciado uma sondagem sobre o caso. Poderia citar mil motivos diferentes do apresentado pelos quais a vizinha estaria fazendo isso. Mas cabe à polícia e à justiça investigar o caso. Porém, logo chegou um repórter e um fotógrafo e “culparam” o suspeito estampando sua cara na capa do jornal.

Há quem confunda isso com liberdade de expressão. Há quem confunda isso com liberdade de imprensa. Eu tenho medo, porque como em todos os casos onde há o “abuso de liberdade”, em seguida vêm as restrições e sanções. Para mim, o que é feito pela imprensa hoje é um abuso.

Temos, sim, que divulgar e publicar todos as novas informações relevantes, mas temos que ter o bom senso de perceber que as notícias também guiam e direcionam o pensamento coletivo. Afinal, muitos dos veículos de imprensa são formadores de opinião. Nós (jornalistas) estamos aqui para contar as histórias, não para criá-las. É importante lembrar disso a cada texto, a cada matéria.

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Como funciona o embargo a Cuba

O embargo é um bloqueio econômico dos EUA, aplicado desde de 1962 como resposta à desapropriação de terras de empresas americanas na ilha. O objetivo das restrições é asfixiar a economia de Cuba. Segundo o governo americano, isso ajuda a “levar a democracia aos cubanos” – se bem que, para alguns analistas, o embargo fortalece ainda mais a ditadura, que joga nos ombros dos EUA a responsabilidade por todos os males na ilha.

De qualquer forma, apenas para americanos que violem as sanções são pesadas: até 10 anos de prisão e multas de US$ 1 milhão para corporações ou US$ 250 mil para cidadãos. Mesmo com tanto controle, os EUA são hoje o 3º maior exportador de produtos agrícolas. “Isso foi fruto de um acordo humanitário, que desde o ano 2000 autoriza a entrada no país de itens de primeira necessidade, como alimentos e remédios”, afirma o historiador Luiz Fernando Ayerbe, da Unesb, autor do livro Estados Unidos e América Latina: a construção da Hegemonia.

Se nos tempos de Guerra Fria (1945-1991) todo o mundo capitalista tinha alguma restrição a Cuba, hoje o embargo só é apoiado pelos aliados americanos mais próximos – na Assembléia Geral da ONU em 2007, apenas 4 dos 188 membros não votaram pela condenação às sanções: Israel, Palau, Ilhas Marshall e, claro, os EUA.

Fidel renunciou ao poder, mas o governo Bush já disse que nada muda no embargo. Um afrouxamento só deve acontecer (se acontecer) em 2009, com o novo presidente.

Texto de Maíra Termero, da Superinteressante (Abril)

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