quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

E agora? O que nos resta fazer?

A instrução sempre foi a não reagir, de não dificultar a vida do assaltante. Essa atitude costumava aumentar as chances de a vítima não sofrer agressões ou mesmo ser assassinado. No entanto, o que aconteceu com o funcionário público Bruno Ernesto do Rêgo Moraes (clique aqui para ler a respeito) na madrugada desta quarta-feira (8) nos põe para pensar.

Estamos lidando com pessoas que não têm mais nenhum tipo de ética, mesmo que de bandido, nenhum respeito pela vida humana. Não há, na verdade, humanidade nessa gente que agora mata sem motivo ou por diversão.

Nesse momento muita gente vai querer que os assassinos sejam executados. O medo, a insegurança e a falta de boa perspectivas fazem isso. Trazem esse desejo aos mais humanos (!?). Mas será o correto a fazer? Será que vai resolver?

Não acho que vá. Acho que o problema está no ciclo vicioso que foi criado. Violência que gera investimento em segurança, que gera construção de presídios, que gera compra de viaturas, que gera contratação de pessoal, que geram a falta de recurso para investimento em políticas públicas.

Ora, vamos ter mudar esse quadro. Nós já mudamos leis, já construímos presídios modelo, já armamos nossa polícia com o que há de mais moderno e nada disso resolveu. Sempre que um traficante é preso, por exemplo, outros dois brigam para tomar seu lugar. Não há espaço para todos nas cadeias. Nem nunca vai haver!

Chegou a hora de tentar algo novo. Temos que investir é na construção de escolas. Boas escolas de tempo integral. Temos que tirar as crianças da rua e da marginalidade. Temos que acabar com essa “linha de produção” de bandidos. Vamos transformar esses meninos que hoje são aviõezinhos do tráfico em gente de bem. Em gente com boas possibilidades de futuro.

A escola por si só não resolve tudo, mas manter nossas crianças longe dos maus exemplos, ocupadas e com saúde é um ótimo começo. Dar acesso aos pensadores, discutir com elas as questões do mundo, ajudar a mostrar o que é certo e o que é errado e mostrar que o futuro delas pode ser diferente e melhor que o de seus pais, esse, me parece, é o caminho.