terça-feira, 18 de outubro de 2005

Eu sou fã de Gandhi

Em tempos de referendo, poucos argumentos convencem. A maioria se baseia no medo e na falta de segurança, em números que, dependendo de quem os mostra, traduz uma realidade. As campanhas usam os argumentos e a lógica da propaganda e do marketing. São feitos para convencer a força e não esclarecer.

Mesmo acompanhando quase diariamente os programas e propagandas dos dois lados do referendo, nenhum deles me convenceu. São argumentos fracos e falsos. Quem os preparou, os fez para ganhar a massa, para ludibriar os ignorantes. São todos argumentos falhos.

Como não me convenci com nenhuma das idéias nem me comovi com nenhuma das histórias, vou ficar com um "amigo meu" advogado, que morreu baleado. Ele sempre pregou a não violência, chegando ao ponto de preferir morrer a machucar outra pessoa. Pode-se pensar que era um fraco, mas ele libertou um país da dominação de outro sem dispara sequer um tiro.
É claro que muitos morreram, quem tem as armas têm esse poder. Mesmo assim, meu amigo foi vitorioso e atingiu seus objetivos.

As propagandas visam somente o imediato, "eu ficarei indefeso", "os bandidos terão armas", "se o estado não me defender, eu preciso me defender". Esse é o pior, porque os bandidos pensam assim, "se o estado não me dá emprego nem comida, eu vou fazer do meu jeito". Se as leis não me agradam eu vou transgredi-las? Assim farei como qualquer marginal ignorante faria.

Se temos que lutar, façamos isso politicamente. Afinal, nós escolhemos os nossos políticos. O povo é ignorante e não sabe escolher? Vamos educá-los. A violência se resolve com educação e inclusão social e não na bala. Defender o uso de armas é um erro para quem quer a paz.

O meu amigo Mahatma Gandhi, conseguiu o que queria com a não-violência. Eu poderia citar outros mártires, mas eu sou fã de Gandhi e, para mim, ele é uma das pessoas mais iluminadas que já passaram por esse planeta. Como ninguém de hoje me convenceu, vou ficar com suas idéias e prefiro ficar com a não-violência.

"Olho por olho deixará todo mundo cego", Gandhi

terça-feira, 4 de outubro de 2005

Partidarização não!!!

Desculpem, vou ter que repetir o assunto...

Conversando com uma amiga, Cláudia Carvalho, eu dizia ser esse um ótimo momento para a população ver como funcionaria uma eleição sem partidos, sem velhas rixas. Muitas vezes as pessoas já crescem sabendo que sua família é partidária a uma legenda, as crianças são adestradas, doutrinadas ou simplesmente influenciadas a seguir uma determinada linha de pensamento. Não se questionam e se tornam adultos que nem sabem porque votam daquela forma.

Um referêndo como este, sobre o comércio de armas e munição é ótimo para testarmos se sabemos discutir e avaliar as duas opções. Claro, todos nós já temos um tipo de pensamento que nos leva a gostar mais de uma opção que de outra. Mas não há fanatismo de torcedor de futebol, não há um partido a ser seguido independente dos candidatos. Vamos poder pensar e avaliar as opções com um pouco menos de pressão.

Hoje, porém, estava assistindo a propaganda eleitoral e vi que o meu comentário foi cedo demais. Muitos dos meus amigos ainda não escolheram em que opção vão votar, se o 'Não' para não mexer nas leis de armas, ou se o 'Sim' para tornar ilegal o comércio de armas e munições para civis. Muitos deles parecem estar esperando que o "seu partido" escolha um lado e este será o deles também. Muitos dos meus amigos mais próximos nem querem discutir sobre isso. Tudo bem, o voto é secreto...

O pior é que esta partidarização está acontecendo. Cada lado já apresentou um senador, ou um governador, ou um ex-ministro com dados, sempre mais precisos que o do concorrente. Já há legendas dos dois lados. Agora ficou difícil, os políticos vão conseguir perturbar até nas eleições que não são deles.

segunda-feira, 3 de outubro de 2005

Beleza de imparcialidade

Estou chocado com a quantidade de meios de comunicação que vestiram camisa na atual campanha do referendo que decidirá se o comércio de armas e munição será considerado ilegal ou não. Claro que nesse momento eu faço o mesmo, tomo partido. Mas o que me chocou não foi ler artigos ou editoriais expondo opiniões de um lado ou de outro. O problema está nas redações que deveriam manter a imparcialidade e a objetividade.

A revista Veja dessa semana, que trata do referendo, deu uma lição de como não se deve tratar, em matéria, de um assunto polêmico como este. A revista tomou partido, mas isso ela faz sempre, o meu choque foi ler declarações do repórter sem aspas. No início, achei que fosse só um erro de grafia, mas não, o repórter descaradamente vendeu suas idéias. Me senti vendo Faustão com daqueles testemunhais comerciais.

Agora, eu que escrevo artigos, me dou o direito de colocar minha opinião. E digo uma coisa. As pessoas que são contra o desarmamento pregam a ineficácia da polícia e posse de arma como sendo a única forma de se manter seguro. Tenho pena, mas não vivo no Velho Oeste americano e, aliás, conheço somente uma ou duas pessoas que têm armas e não são militares nem bandidos.

Portanto, prefiro um mundo sem armas, ou com o mínimo possível delas. Não pretendo andar com um revólver e prefiro brigar todos os dias para que a polícia funcione, para que as políticas públicas sejam eficazes e para que, cada dia mais, haja menos violência no mundo. Ou ao menos o mundo que me rodeia.