sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

A vingança do arcebispo

Que o arcebispo da Paraíba dom Aldo Pagotto está envolvido em política até os dentes, não há quem questione. Que ele se decepcionou com a cassação do mandato de governador de Cássio Cunha Lima, também não. Agora, retaliações, acho que ninguém esperava. A primeira (?) foi a proibição do padre e deputado federal Luiz Couto de celebrar missa, batizados e outras atividades do sacerdócio.

Não foi, é verdade, a primeira vez que os dois discordaram em suas opiniões. Até o mês passado, sempre que Couto denunciava violência, o arcebispo dizia que a Segurança estava em boas mãos, quando o padre dizia quehvia grupo de exterminínio, dom Aldo dizia que não se podia falar sem prova. Agora, que mudou o governo, o arcebispo está cobrando políticas de segurança, como disse o assessor do parlamentar, Wallene Cavalcante.

Dom Aldo puniu Luiz Couto por ele defender teses "que vão contra os mandamentos da igreja" como o fim do celibato obrigatório na Igreja Católica, o uso de camisinhas por razões de saúde pública e o fim da discriminação aos homossexuais. O padre, que sofre de diabetes, teve um princípio de pressão alta e está repousando por recomendação do médico Ítalo Kumamoto.

Já Pagotto, que sempre teve um lugar no palanque ao lado do governador Cassio, está agora deslocado e procurando uma nova função para si neste novo momento político da Paraíba. Aliás, como muitos extremistas do lado amarelo e também do vermelho.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Carnaval que é caso de polícia

As pessoas parecem não saber desfrutar da liberdade. É claro que não dá para generalizar, mas estas folias todas na época de Carnaval são cheias de violência. Tudo bem, pode ser que eu esteja ficando velho, mas vejo que muita gente, muito barulho, muita confusão, isso tudo junto sempre acaba em violência. As drogas, incluindo aí o álcool, são um grande catalisador desta violência.

Eu bem sei que ninguém é obrigado a beber ou se drogar, mas fatalmente a agitação dos mais afoitos por conta dos entorpecentes acaba atingindo também os "caretas". E assim, chega-se ao absurdo em que as pessoas ficam querendo a polícia, símbolo histórico e representativo da repressão, nocarnaval. Tudo isso porque alguns não sabem aproveitar a liberdade que têm.

Exemplos mais óbvios desta violência são os esfaqueados e os espancados que aparecem no noticiário do dia seguinte. Mas há também as violência menos óbvias, mas que também deixam marcas. Como o barulho exagerado que submete até quem não querouvi -lo a tê-lo predominante em sua casa, ou mesmo as agressões sofridas nas ruas por quem não quer participar da folia, mas é obrigado a passar por ela.

Há quem queira culpar a classe mais pobre pela violência. Talvez por isso todas as micaretas estejam migrando para festas "indoor". Mas elas próprias, as festas fechadas, provam o contrário que este apontamento é injusto. Afinal, é lá onde muitos filhos da classe média e alta das cidades, inclusive na nossa, aproveitam para se exibir e geramshows, fora do palco, de violência e descontrole.

Assim, o que falta, imagino, é educação. Sei bem que as festas que reúnem multidões são difíceis de controlar e não gostaria de participar de um evento em que estivesse o tempo todo sendo vigiado ou mesmo ladeado por homens armados. Não acho que seja a solução lançar um soldado para cada folião. Claro, é preciso ter força policial e preparada, mas deveria ser para emergências e não para a regra.

Acho que é preciso empreender campanhas que busquem a maior integração entre as pessoas. Tentar derrubar barreiras entre ricos e pobres, melhoras o tratamento entre as pessoas. Mais "olás", "com licença", "por favor" e "obrigado" já seriam um bom começo. Eu sei, estou pedindo demais. Mas estou tentando fazer a minha parte.