sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Vote em mim, vote Nulo!

Sou candidato a vereador.

Prometo que, se eleito for, vou aumentar os salários dos professores federais. Vou acabar com o horário gratuito eleitoral que atrasa as novelas. Vou reduzir o salário dos juízes e dos deputados, que ganham demais. Vou usar meu 13º salário para comprar comida e distribuir na feira. Vou também botar os postos de saúde para distribuir remédio de graça, sem nem precisar perder tempo com médico. Passa na farmácia e pega.

Eu vou fazer diferente de todos os outros vereadores. Vou criar a sessão virtual pelo Twitter e pelo Facebook. Assim, os vereadores não vão precisar ir para a câmara. De onde estiverem tuitam e pronto.

Meu número é 99, Antônio Nulo. Vote em mim, vote Nulo!

*Atenção! Esse artigo é fictício assim como o personagem. Mas está cheio de candidatos com propostas tão esdrúxulas quanto essas.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

PEC dos Jornalistas é aprovada em 2º turno no Senado

Com 60 votos favoráveis e apenas 4 contrários, a PEC 33/09, que restabelece a exigência de diploma de curso superior em Jornalismo para o exercício da profissão de Jornalista foi aprovada no Senado nesta terça-feira (7/8). A comitiva de profissionais e estudantes de Jornalismo, que acompanhou e comemorou a decisão, permanece em Brasília para articulações na Câmara dos Deputados, que também terá que apreciar a matéria.

As articulações de bastidores ampliaram o clima tenso da sessão desta terça-feira no Senado. De um lado, parlamentares que resistiam à PEC 33/09 buscavam manobras de plenário para esvaziar o quorum e protelar a votação. De outro, senadores apoiadores da proposta, respaldados pela mobilização da FENAJ, Sindicatos de Jornalistas e estudantes, buscavam conter as medidas protelatórias, pressionar pela votação e convocar parlamentares a virem ao plenário.

Comitivas da FENAJ, dos Sindicatos dos Jornalistas de Alagoas, do Amazonas, Distrito Federal, Espírito Santo, Minas Gerais, Paraíba, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Goiás, que também trouxe uma delegação de estudantes para participar da mobilização, movimentaram-se desde a manhã desta terça-feira em Brasília. Além de contatos com lideranças do Senado, construíram alianças pela aprovação, também, do PLS 344/08, que estabelece critérios de ingresso nas universidades federais e estaduais e nas instituições federais de ensino técnico de nível médio para estudantes de escolas públicas, e do PLS 652/11, que dispõe sobre a aposentadoria especial dos garçons.

Compromisso público
A tensão aumentou quando cresceram as manobras para tentar adiar a votação da PEC 33. Prevaleceu, no entanto, a pressão da comitiva dos jornalistas e as intervenções dos senadores Antonio Carlos Valadares (PSB/SE), autor da PEC, Inácio Arruda (PCdoB/CE), relator da matéria, e da senadora Lídice da Mata (PSB/BA). Os três parlamentares cobraram o compromisso público assumido pelas lideranças partidárias já no final do ano passado, quando a PEC/33 foi aprovada em 1º turno, e no início do primeiro semestre de 2012, de votar a matéria.

Por volta das 20h30, a PEC dos Jornalistas foi colocada em discussão e votação. A primeira fala, única contrária a manifestar-se no microfone, foi do senador Aluysio Nunes (PSDB/SP). Sucederam-se diversas outras favoráveis à proposta. Quando o painel do Senado registrou, às 21h7min, o resultado da votação, jornalistas e estudantes comemoram. Instantes depois o resultado da votação espalhava-se pela internet.

Câmara dos Deputados é o novo palco da luta
“O Senado mostrou sintonia e sensibilidade com o desejo da sociedade e dos jornalistas pela qualificação e valorização do jornalismo. Temos certeza de que, com mais luta e mobilização, a Câmara dos Deputados fará o mesmo”, considera o presidente da FENAJ, Celso Schröder.

A comitiva dos jornalistas permanece em Brasília nesta quarta-feira, reforçada por dirigentes de outros Sindicatos de Jornalistas e de uma delegação de dirigentes sindicais e estudantes de São Paulo. A mobilização se voltará para contatos com lideranças da Câmara dos Deputados, visando a definição de uma estratégia para acelerar a tramitação da PEC 33/09 em conjunto com a PEC 386/09, de autoria do deputado Paulo Pimenta (PT/RS).

Texto da Fenaj

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Criança.PB traz a JP nomes premiados do jornalismo nacional

O portal Criança.PB, a Associação Paraibana de Imprensa (API) e o Sindicato dos Jornalistas da Paraíba (Sindjor-PB) trazem a João Pessoa, no próximo dia 31 de julho, dois premiados nomes do jornalismo nacional: o repórter Mauri König e o fotógrafo Albari Rosa. Os dois vão participar do evento “Infância, Mídia e Direitos Humanos: o papel do jornalista na transformação de realidades”, a ser realizado no auditório do Hotel Littoral, na Avenida Cabo Branco, 2172, a partir das 19h30. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas através do e-mail do portal (criancapb@gmail.com). Basta enviar os dados pessoais, contato e a entidade/empresa de que faz parte.

Com experiência profissional de mais de 20 anos, Mauri e Albari estão entre as maiores referências na área da infância. Atualmente, estão em produção de reportagem vencedora do último Prêmio Tim Lopes de Jornalismo, viajando pelo país, para cruzar os investimentos públicos em infraestrutura para as cidades-sede da Copa do Mundo de 2014 com os investimentos em prevenção à exploração sexual comercial de crianças e adolescentes no mesmo período.

Nesse sentido, explica a coordenadora do Criança.PB, Janaína Araújo, a contribuição de ambos será bastante valiosa. “Buscamos trazer os profissionais mais envolvidos com o tema e que têm maior visibilidade nacionalmente. Essa capacitação tem o objetivo de fazer essa interação entre quem já faz o jornalismo investigativo na área da infância, como Mauri e Albari, e quem ainda quer fazer, mas não sabe o caminho. É uma forma de melhorarmos o conteúdo local, saindo da simples abordagem factual, que ainda tem muita força”, enfatizou.

De acordo com o presidente do Sindjor-PB, Rafael Freire, o evento terá total apoio do Sindicato, que participará também das discussões. “A violência e a exploração que enfrenta a infância e a juventude são coisas muito sérias, especialmente na Paraíba, um Estado pobre onde, muitas vezes, isso serve de sustento para as famílias ou para aquelas pessoas que simplesmente querem lucrar com esse tipo de abuso. Na nossa compreensão, o jornalista tem esse papel de defender os direitos humanos, valorizar a vida e denunciar essas situações, por isso vamos participar e ajudar na mobilização”, disse. O projeto também tem o apoio da API.

Quem são os palestrantes?
Mauri König é formado em Letras e Jornalismo, com pós-graduação em Jornalismo Literário. Em 22 anos de carreira, recebeu 23 prêmios de jornalismo, entre eles dois Esso, dois Embratel, quatro Vladimir Herzog de Direitos Humanos e dois Tim Lopes, o último neste ano. Também venceu por duas vezes o Lorenzo Natali Prize, concedido pela União Europeia, e ganhou ainda o Prêmio de Direitos Humanos da Sociedade Interamericana de Imprensa. Publicou em 2008 o livro "Narrativas de um correspondente de rua", finalista do Prêmio Jabuti. Recebeu em 2003 o título de Jornalista Amigo da Criança, concedido pela Andi - Direitos e Comunicação.

Albari Rosa é fotojornalista desde 1988. Iniciou como freelancer da Editora Abril, passou por assessorias de imprensa, pela Revista do Comércio e jornais como o Diário Lance, a Folha de Londrina e a Gazeta do Povo, onde se encontra desde 1993. Entre muitos trabalhos, destaca a cobertura das Copas do Mundo da Alemanha e África do Sul, além dos que lhe renderam os prêmios Esso e Vladimir Herzog de fotojornalismo.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Criança.PB dá dez dicas para uma cobertura jornalística qualificada

Antes de partir para o texto da ONG Criança.PB, quero dizer que fiquei muito feliz por, enquanto jornalista, já cumprir essas regras sugeridas pelo menos desde que passei a ser editor. As dicas parecem óbvias ao primeiro olhar, mas quem está numa Redação sabe o quanto é difícil lutar contra comunicadores que usam o senso comum como principal conselheiro e vêem a máxima audiência como único motivo de suas publicações/exibições.

Agora, segue o texto do Criança.PB:

A cobertura jornalística de assuntos relacionados a adolescentes envolvidos em atos infracionais é delicada e, muitas vezes, reproduzida apenas como um problema de segurança pública, dentro da dualidade “infração-repressão”. Apesar disso, para que esse trabalho seja qualificado e significativo para a sociedade, é necessário que as reportagens vão além do mero Boletim de Ocorrência policial. Mas, por quê?

A mídia tem um poder imenso. É formadora de opinião e, nesse sentido, é capaz de criar uma consciência social sobre um determinado assunto. E o que isso influencia? Influencia no sentido de que, ao apenas reproduzir fatos da esfera criminal envolvendo esses jovens, só são aprofundados o preconceito, a histeria coletiva e a verdadeira aversão aos adolescentes que, por um dado motivo, foram autores de um delito. Podemos nos perguntar: e o que ganhamos se fizermos diferente?

Da mesma forma que, em geral, a imprensa obtém sucesso após questionar aumentos no preço da gasolina e dos alimentos, ou cobra melhorias na infraestrutura de um bairro específico, pode-se também obter êxito no questionamento e na implantação de políticas públicas, para que essas crianças e adolescentes não tenham seus direitos violados e cometam, dentro de um determinado contexto, qualquer ato infracional.

O que se pode fazer, então? Começam aqui as dicas básicas para que tentemos transformar esta realidade, baseadas nas discussões levantadas durante o seminário “Direitos em Pauta: Imprensa, Agenda Social e Adolescentes em Conflito com a Lei”, promovido pela Agência de Notícias dos Direitos da Infância, em Brasília.

1) Não use expressões como “menor” , "infrator" e "crime"


Por muito tempo no meio jurídico, circulou a expressão “de menor” ou “menor”, inclusive para nomear delegacias, que antes se chamavam “Delegacia do Menor”, e o próprio Código de Menores, antecessor do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Para especialistas na área, entretanto, o consenso é que essa expressão é pejorativa e simplista, tendo em vista que não personifica o indivíduo e lhe dá um tom de inferioridade e incapacidade. O correto seria “adolescente” ou sinônimos, como "garoto", "menino" ou, no último dos casos, "menor de idade". A denominação "criança" se encaixa apenas para aquelas com até 12 anos.

O termo “infrator”, por sua vez, tem igual carga negativa, por isso é preferível que se use “adolescente envolvido em ato infracional” ou “em conflito com a lei”. Também não se deve usar o termo "crime": o ECA considera que a população abaixo dos 18 anos está em desenvolvimento, assim, ao evitar a palavra "crime", o repórter contribui para que a sociedade entenda que o jovem, por estar em formação, tem oportunidade de aprender com o erro. No mesmo sentido, em vez de "pena", use "medida socioeducativa"

2) Não use a “tarja preta”

Também utilizada por bastante tempo, a tarja preta na altura dos olhos acabou se transformando em sinal de estigma. Prefira o desfoque (com cuidado para não identificar o adolescente, conforme apontaremos mais adiante), ou qualquer outro artifício editorial, como o enquadramento parcial.

3) Adolescente é punido sim, de acordo com legislação própria

É um erro pensar que os adolescentes não recebem quaisquer punições, quando pegos em atos infracionais. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) prevê uma série de medidas socioeducativas, que começam com uma advertência e chegam até a internação, que é a última medida a ser adotada, para delitos violentos ou sob grave ameaça. Para os demais, existe a prestação de serviços à comunidade, a reparação do erro, a semiliberdade e a liberdade assistida, que são supervisionados por órgãos como os Centros de Referência da Assistência Social (Creas). Vale lembrar que as punições devem corresponder às de um adulto. Confira a opinião de um especialista aqui.

4) Vá além do Boletim de Ocorrência


Todos sabemos que tempo em televisões e rádio são raros, da mesma forma que espaço para jornais impressos e mídias digitais. Contudo, para que a mídia seja uma aliada na garantia dos direitos de crianças e adolescentes, o recomendado é que se vá além do Boletim de Ocorrência. O lead mantém-se o mesmo, afinal, o ato infracional é o “gancho” jornalístico. Mas, por que não problematizar a questão? O que houve com o garoto, para que ele cometesse tal ação? Como vive a família dele? O que falta em sua casa? O que os governos não lhes ofereceram? Esse adolescente estuda? Se não estuda, por quê? Por que não quer, ou por que a escola não funciona? Precisamos entender que os adolescentes não cometem atos infracionais simplesmente por cometerem. Conforme aponta o juiz da Infância e da Juventude de Caxias do Sul, Leoberto Brancher, o ato infracional é como se fosse um chamado de escuta, um grito de socorro dado pelo adolescente, para que alguém preencha as lacunas deixadas em seu desenvolvimento. Humanize sua matéria.

5) Leve em consideração o contexto

Paute a questão social em suas matérias. Que o adolescente cometeu o ato infracional, não há dúvidas, mas problematize a questão envolvendo as deficiências da comunidade, para gerar questionamentos, que funcionarão como cobranças. Não adianta que o garoto seja interno em uma unidade, sem que haja quaisquer melhorias na comunidade de onde ele vem. Ao sair, ele estará exposto ao mesmo ambiente que o levou a cometer tal ação. Lembrando que o artigo 227 da Constituição Federal já determina: "É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão”. Cobrar é, portanto, um direito de todos nós!

6) Cuidado para não identificar o adolescente

Apesar da importância de se humanizar as matérias, cuidado! O artigo 143 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) diz que é vedada a divulgação de atos judiciais, policiais e administrativos que digam respeito a crianças e adolescentes a que se atribua autoria de ato infracional. Isso significa que fotografia, referência a nome, apelido, filiação, parentesco, residência e, inclusive, iniciais do nome e sobrenome não são permitidas. Faça tudo isso sem citar nomes, fazer fotos ou dar possíveis “dicas” que permitam seu reconhecimento. O objetivo é não estigmatizá-lo, para que seja possível sua reintegração à sociedade posteriormente. Da mesma forma, um garoto que já tenha cumprido a medida socioeducativa também não pode ser identificado.

7) Polícia não é fonte suficiente

Ao produzir as reportagens, trabalhe com mais de uma fonte. A Polícia Militar, embora seja o primeiro a se ouvir para entender o caso, não deve ser a única. Ela só poderá falar sobre o que é de sua competência: a repressão. Procure as secretarias de Desenvolvimento Humano e Social, da Educação, da Cultura, o Ministério Público e as Varas da Infância, afinal, todos esses atores têm obrigações com esses adolescentes.

8) Traga o ECA para o conhecimento do público

Falamos o tempo todo de Código do Consumidor, de Código de Ética, mas quase não se fala em Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que completa, em julho deste ano, 22 anos. O ECA contém todos os direitos que devem ser assegurados a crianças e adolescentes, bem como as medidas socioeducativas que deverão ser aplicadas, em caso de ato infracional. Trabalhe esses artigos! Discuta o que se está faltando, o que se está errado, o que deve ser mudado. Suscite a discussão, ou a população continuará sem cobrar mudanças, rendida ao binômio “infração-repressão”, que é ineficaz, tendo em vista que os problemas continuarão a existir.

9) Entenda: adolescentes ricos são iguais a adolescentes pobres

Não trate com diferença dois atos infracionais envolvendo dois adolescentes de classes sociais diferentes. Ambos têm os mesmos direitos. Havendo violação de algum deles, represente isso de forma igual: família, sociedade e governo falharam em sua efetivação. Ninguém está fadado ao fracasso por não ter boas condições econômicas. Cobre, denuncie, paute. Um garoto envolvido com o tráfico de drogas o fez, porque o Estado em todas as suas esferas deixou lacunas que permitiram o avanço da criminalidade.

10) Também paute boas pautas

Embora comercialmente menos atraentes que as “más pautas”, as boas são fundamentais para que a sociedade assuma uma nova postura diante de adolescentes em conflito com a lei. Criar uma agenda positiva em vez de uma histeria coletiva é um dos caminhos para que se cobrem mais políticas públicas que atendam cada vez mais jovens, evitando, assim, o envolvimento com a criminalidade. Da mesma forma, para os próprios garotos, ver que seus esforços estão sendo divulgados também funcionam como uma injeção de ânimo, possibilitando a reconstrução de planos para o futuro. Na perspectiva da sociedade, ver que iniciativas têm salvado vidas também são mobilizadoras.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

E agora? O que nos resta fazer?

A instrução sempre foi a não reagir, de não dificultar a vida do assaltante. Essa atitude costumava aumentar as chances de a vítima não sofrer agressões ou mesmo ser assassinado. No entanto, o que aconteceu com o funcionário público Bruno Ernesto do Rêgo Moraes (clique aqui para ler a respeito) na madrugada desta quarta-feira (8) nos põe para pensar.

Estamos lidando com pessoas que não têm mais nenhum tipo de ética, mesmo que de bandido, nenhum respeito pela vida humana. Não há, na verdade, humanidade nessa gente que agora mata sem motivo ou por diversão.

Nesse momento muita gente vai querer que os assassinos sejam executados. O medo, a insegurança e a falta de boa perspectivas fazem isso. Trazem esse desejo aos mais humanos (!?). Mas será o correto a fazer? Será que vai resolver?

Não acho que vá. Acho que o problema está no ciclo vicioso que foi criado. Violência que gera investimento em segurança, que gera construção de presídios, que gera compra de viaturas, que gera contratação de pessoal, que geram a falta de recurso para investimento em políticas públicas.

Ora, vamos ter mudar esse quadro. Nós já mudamos leis, já construímos presídios modelo, já armamos nossa polícia com o que há de mais moderno e nada disso resolveu. Sempre que um traficante é preso, por exemplo, outros dois brigam para tomar seu lugar. Não há espaço para todos nas cadeias. Nem nunca vai haver!

Chegou a hora de tentar algo novo. Temos que investir é na construção de escolas. Boas escolas de tempo integral. Temos que tirar as crianças da rua e da marginalidade. Temos que acabar com essa “linha de produção” de bandidos. Vamos transformar esses meninos que hoje são aviõezinhos do tráfico em gente de bem. Em gente com boas possibilidades de futuro.

A escola por si só não resolve tudo, mas manter nossas crianças longe dos maus exemplos, ocupadas e com saúde é um ótimo começo. Dar acesso aos pensadores, discutir com elas as questões do mundo, ajudar a mostrar o que é certo e o que é errado e mostrar que o futuro delas pode ser diferente e melhor que o de seus pais, esse, me parece, é o caminho.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

O jornalismo está morrendo

O jornalismo parece estar acabando. E não é pelo motivo que se previa. Não é pela participação cada vez maior do público na produção da notícia. Não tem a ver com a mudança dos veículos ou com o aumento do preço do papel. Não tem a ver com a TV tomar o lugar do rádio, ou da Internet tomar o lugar da TV. Tem a ver com o motivo de se fazer jornalismo.

A função social do jornalismo é quase ignorada. Se faz notícia pela notícia. Sem motivo, sem razão, sem objetivo. Se diz que é pela audiência, mas nem isso é.

Vivemos um momento em que muitos jornalistas abusam da confiança conseguida com suas fontes. Vivemos um momento em que os poderosos ou simplesmente brutos de plantão agridem e descumprem os direitos do cidadão na frente dos jornalistas por saber que eles não dirão nada (!).

Foi-se o tempo em que dar informação errada era vergonhoso, era humilhante. Hoje, não há compromisso com a verdade. Hoje, não há compromisso com os leitores/ouvintes/telespectadores. Hoje as informações são apenas replicadas, sem checagem, sem apuração, sem garantias. Hoje há uma legião de jornalistas que sequer leu o Código de Ética da Profissão.

Já tive raiva de Gilmar Mendes por defender a não obrigatoriedade do diploma de jornalismo para contrações em redes de comunicação. Hoje eu vejo que a culpa é dos jornalistas, que não se organizam para garantir o bom funcionamento da comunicação e acabam à mercê de tribunais e ações de associações empresariais. A culpa é nossa.

A culpa é nossa quando aceitamos que pessoas ignorantes ocupem o lugar de jornalistas. É nossa culpa quando permitimos e somos indulgentes quando temos nosso conteúdo intelectual roubado ou usado inescrupulosamente. A culpa é nossa quando é preciso que o Ministério Público nos diga que estamos fazendo jornalismo do jeito errado.

Nosso sindicato e associação são um termômetro do que somos enquanto categoria hoje. Lutamos por salários melhores e só. O reflexo disso é que temos comunicadores que ganham bem, mas que não têm conteúdo, nem se importam com ele. E quando são questionados por isso, nossas entidades agem como mães superprotetoras que nos passam a mão na cabeça e repudiam quem está criticando.

Enfim, nós, os jornalistas, se não estamos matando o jornalismo, estamos deixando que o matem.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

O Coletivo rachado

Elza Fiúza/ABr
Chegou a hora de o coletivo se individualizar. O governador Ricardo Coutinho (PSB) formou, há tempos, um núcleo duro de apoio a tudo que fizesse. Esse grupo vem se fortalecendo e criando massa desde o tempo em que Ricardo panfletava para se eleger vereador na capital.

Pois bem. Esse núcleo, formado por Nonato Bandeira, Roseana Meira, Edvaldo Rosas e Estelizabel, entre outros, cresceu tanto em poder que, cada um de seus membros resolveu (ou precisou) ter seu próprio grupo de confiança. Assim, se formaram as castas no coletivo de Ricardo.

E diferente do que acontece em outros partidos, como PSDB ou PMDB, onde existem divisões, mas um lado é tão dominante que as disputas internas não afetam o andamento do todo, o PSB tem grupos ainda equilibrados e mal gerenciados pelo grande líder, o governador.

Ricardo parece gostar de ver seus liderados arengando, brigando por mais espaço, lutando por mais poder. E o resultado disso é o óbvio: lutas internas que enfraquecem todo o coletivo. E no momento em que Luciano Agra, representante importante da casta de Roseana Meira, não aguentou mais a pressão e desistiu de concorrer à reeleição, todos os grupos se alvoroçaram e agora querem seu lugar ao sol.

A saída prematura de Agra do pário, sim, prematura, pois dificilmente ele chegaria à eleição como candidato tendo em vista que ele passou a ser o aglutinador de todos os problemas da administração que ele pegou já no  sexto ano de mandado, mudou todos os planos.

De onde eu olho, vejo que Roseana apostava na reeleição de Agra, mesmo não sendo a vontade do governador. Vejo que Nonato adoraria assumir o lugar de candidato no último dia de inscrição e já sem correr o risco de ser culpado por nada que Ricardo ou Agra tenham feito.

Vejo que Estelizabel vem construindo uma carreira política mais lentamente, mas mais consistentemente e que não vê este como o momento certo para entrar na disputa pela Prefeitura. Vejo Edvaldo Rosas torcendo para que seus anos de defesa cega de Ricardo lhe valham, ao menos uma chapa de vice.

Mas aí, Agra desistiu. Tudo mudou. Ninguém mais sabe ao certo o que fazer. Roseana corre o risco de ter sua casta toda posta fora do poder. Se Nonato entra na disputa agora, se arrisca a ser desafiado e atacado pelos ciceristas e maranhistas de plantão. Estelizabel será empurrada para se candidatar à prefeitura, ou pior, à vice, atropelando seus planos. E Edvaldo Rosas... bem, ele vai ter que esperar mais um pouco.

E para quem acha que isso é tudo, saiba que com seu grupo enfraquecido, Ricardo tem tudo para perder o apoio de Cássio Cunha Lima (PSDB), que, para não ficar em "chapa derrotada" deve voltar seus créditos à candidatura de Cícero Lucena (PSDB) e sua sempre solícita confraria.

Foto de Elza Fiúza/ABr

sábado, 14 de janeiro de 2012

Luciano Agra e o lado B

Em João Pessoa, Agra desiste de se candidatar ao ceder aos ataques de seus oponentes de outros partidos, mas sobre tudo aos ataques que sofreu de seus próprios companheiros de gestão. É impossível dizer hoje quem é o maior inimigo do prefeito, mas eu tenho certeza de que são colegas de partido, eu diria que do lado B.

Agra foi usado de coelho, e eu diria que um coelho resistente, pois outros já teriam desistido antes ou botado a boca no trombone. Mas ele não. Aguentou calado as puxadas de tapete e série de ações desastradas da prefeitura que ele teve que assinar sem ler.

Há nesse grupo que quer seu mal gente administrando e vazando informações de licitações, mandando invadir, bater e quebrar e ainda gente atrasando as coisas de propósito. Pelo menos é assim que vejo todos os problemas de contratações e compras irregulares, as surras em camelôs e a destruição irresponsável do Aeroclube que todos, até então, queriam que se tornasse um parque.

Se é um bom administrador não sei, mas vejo nesses problemas citados e em outros tantos, mais do que inabilidade administrativa. Vejo má fé. E se fosse má fé dele, teria que se incluir à ela a falta de inteligência, que eu não que seja o caso.

Nos cabe agora apenas esperar para ver quem será esse novo ator a se apresentar. Mas eu, como último palpite, não acredito que essa nova peça já esteja definida. Temos algumas na agulha, mas o pensador, o autor de tudo só se apresentará se a situação for favorável. Não sendo, Estelizabel deve ser empurrada a contra gosto para uma campanha sem futuro.

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Não entendeu nada? Então leia o texto abaixo

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Olha aí! 106 livros sobre mídias sociais, comunicação e web para download

O Blog Mídia8! postou uma lista de e-books gratuitos sobre comunicação, mídias sociais e web. Como este é o meu ano de voltar para a academia, pretendo ler o máximo que puder sobre o assunto e aproveito para também deixar os links para os leitores deste blog.

Já há por aqui um outro post (153 livros sobre mídias sociais, comunicação e web 2.0 para download) com uma lista de outros livros para baixar. (Obrigado Ana por me enviar o link)

Seguem abaixo:


Português:
01. Como escrever para a web (Guillermo Franco)
02. O que é o virtual? (Pierre Lévy)
04. Web 2.0: erros e acertos (Paulo Siqueira)
05. Para entender a internet (org. Juliano Spyer)
06. Redes sociais na internet (Raquel Recuero)
07. Televisão e realidade (Itania Gomes)
08. Autor e autoria no cinema e televisão (José Francisco Serafim)
09. Comunicação e mobilidade (André Lemos)
10. Comunicação e gênero: a aventura da pesquisa (Ana Carolina Escosteguy)
11. Conceitos de comunicação política (org. João Carlos Correia)
13. Informação e persuasão na web (org. Paulo Serra e João Canavilhas)
14. Teoria e crítica do discurso noticioso (João Carlos Correia)
17. O marketing depois de amanhã (Ricardo Cavallini)
19. Grandes Marcas Grandes Negócios (José R. Martins)
20. Relações Públicas digitais (org. Marcello Chamusca e Márcia Carvalhal)
21. Ferramentas digitais para jornalistas (Sandra Crucianelli)
30. Retória e mediação II (orgs. Ivone Ferreira e María Cervantes)
32. Comunicação e estranheza (Suzana Morais)
34. Manual da teoria da comunicação (Joaquim Paulo Serra)
35. Estética do digital: cinema e tecnologia (orgs. Manuela Penafria e Mara Martins)
36. Jornalismo digital e terceira geração (org. Suzana Barbosa)
37. Comunicação e ética (Anabela Gradim)
40. Teorias da comunicação (orgs. José Manual Santos e João Correia)
41. Comunicação e poder (org. João Correia)
42. Comunicação e política (org. João Correia)
43. Manual de jornalismo (Anabela Gradim)
44. A informação como utopia (Joaquim Paulo Serra)
45. Jornalismo e espaço público (João Correia)
50. Campos da comunicação (orgs. Antônio Fidalgo e Paulo Serra)
51. Jornalistas da web: os primeiros 10 anos (Jornalistas da web)
52. Onipresente (Ricardo Cavallini)

Inglês:
01. The new rules os viral marketing (David Meerman Scott)
02. Podcast marketing ebook (Christopher Penn)
03. Social web analytics (Social Web Analytics)
04. Masters of marketing (Starup Internet Marketing)
05. Get viral ger visitors (Stacie MAhoe)
07. The zen of blogging (Hunter Nutall)
08. A primer in social media (Smash Lab)
09. SEO for WordPress blogs (Blizzard Internet)
11. The word of mouth manual – vol. II (Dave Balter)
12. Time management for creative people (Mark McGuinness)
13. Social media: your organisation and web 2.0 (Trevor Cook e Lee Hopkins)
15. The impact of digital on journalism in Latin America (Guillermo Franco)
16. What matters now (Seth Godin)
17. Red kayaks and hidden gold: citizen journalism (John Kelly)
18. Science and the media (Donald Kennedy e Overholser Ginebra)
19. New media makers (Jan Schaffer´s)

Espanhol:
01. Comunicación multicultural em Iberoamérica (José Marques de Melo)
02. Marketing e comunicación (José Sixto García)
04. Herramientas digitales para periodistas (Sandra Crucianelli)
07. El impacto de las tec. digitales en el periodismo en AL (Guillemro Franco)
08. Inteligencia colectiva (Pierre Lévy)
09. Predicciones para los Social Media 2010 (Marc Cortés)
10. Geekonomía (Hugo Pardo)
11. Manual de periodismo independiente (Deborah Potter)
12. La revolución de la prensa digital (Cuadernos de Comunicación Evoca)
13. Dictadura del diseño (Carlos Carpintero)
14. Quiénes son los YouTubers? (Estudio de usuarios)
15. Comunidades online 2009 (Miguel Cornejo)
16. El modelo de la nueva agencia (diversos autores)
17. Web 2.0 (Antonio Fumero)
18. Más allá de Google (Jorge Juan Fernández)
19. Necesidades de formación para medios digitales (Guillermo Franco)
20. Crónicas argentinas (Juan Pablo Menezes)
21. Nosotros, el medio (Chris Willis e Shayne Bowman)
22. Cómo escribir para la web (Guillermo Franco)
23. Claves del nuevo marketing 2.0 (diversos autores)
24. Lan gran guía de los blogs (Francisco Polo)
25. Periodismo 2.0 (Mark Briggs)
26. Valores y criterios de la BBC (BBC)
27. Glosario básico de internet (Rafael Fernández Calvo)
28. Branding corporativo (Paul Capriotti Peri)
29. Los desafíos del periodismo (Media Matters)
30. 100 BM digital tips (Burson-Marsteller)
31. Comunicación local y nuevos formatos periodísticos en internet
32. La sociedad de control (Jose Alcántara)
33. Publicidad 2.0 (Paúl Been)
34. Software libre (Jordi Hernàndez)
35. Movilidad en la Pyme (José Colvée)

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

E todo novo é bom?

Durante o programa Hora do Rush, do qual participo como comentarista todas as noites na 101FM, o prefeito de Campina Grande Veneziano Vital (PMDB) ligou para anunciar em primeira mão que Tatiana Medeiros será a candidata do PMDB a concorrer à prefeitura da cidade.

Naquele momento, sem outras informações, só pude comemorar a entrada de mais uma pessoa no mundo da política. Obviamente reconheço que esta entrada acontece sob as asas de um grande e tradicional partido, mas sempre acredito que as pessoas decidem mais que os partidos (e isso não é necessariamente uma virtude).

Tanto durante o programa, quanto depois, via web, fui contestado quanto ao termo “novo” que usei para qualificar a candidata. O argumento contra minha comemoração se deu, principalmente, por conta da onda de demissões e outras ações impopulares do atual governador Ricardo Coutinho (PSB) que se auto intitulou representante do novo nas últimas eleições.

Mas lembro que este não é o primeiro cargo eletivo do governador e que o fato de ser novo no mundo da política não garante a boa qualidade do representante, estão aí alguns exemplos de vereadores de um mandato só que mostram que o despreparo ou a ignorância são tão nocivos quando a má fé.

Mas também é inegável que a entrada de pessoas novas traz necessidades, visões, e até erros novos. E nesse caso, até os erros novos são interessantes, historicamente falando.

Eu acredito na alternância de governantes. Acredito que a democracia deve ser feita por muitos representantes e, sendo assim, não é bom negócio transformar os cargos eletivos em negócio de família. Quem sabe assim, os partidos voltam a ter força e importar, pelo menos, tanto quanto o candidato.

Afinal, é o partido que tem ideologia, caminho e história conhecidos e registrados. Pessoas não, podem mudar de ideia facilmente e mudar de um lado para o outro sem se importar com quem apostou no primeiro caminho prometido por eles.