terça-feira, 29 de novembro de 2005

O troco

Depois de uma longa, constrangedora e muito comentada vaia na abertura do Festival Nacional de Arte (o Fenart, que só tem de nacional e a pretensão) em João Pessoa, o Governo do Estado na figura do governador Cássio Cunha Lima (como diriam seus associados) decidiu reduzir as verbas destinadas à arte de quase 4 milhões para 1 milhão de reais.

Segundo a matéria do jornalista João Costa, do Paraíba.com.br, o deputado Rodrigo Soares disse que "o Governo reduziu para R$ 1 milhão, os recursos destinados ao incentivo da Cultura através da Lei Augusto dos Anjos".

É pena. Mas acredito que a vaia no ano que vem deve ser maior...

sexta-feira, 25 de novembro de 2005

Como eu dizia...

É... o tempo passa e o mundo gira. Como eu dizia ontem, João Pessoa não é mais a mesma. Lendo os jornais de hoje vi a manchete "João Pessoa entre as 100 mais violêntas". Parece até que foi combinado, mas não foi. Todos podem notar.

Há alguns anos, quando me mudei para a capital, as manchetes diziam "João Pessoa, umas das capitais menos violêntas do país". Os índices de violência mudaram. A pobreza, pelo jeito, aumentou.

A miséria que leva o homem à loucura e que dá força aos moleques que vêem no roubo a única forma de ascensão e na violência o único instrumento de trabalho, faz com que a desigualdade atinja, de uma forma ou de outra, a todos.

quinta-feira, 24 de novembro de 2005

Dias difíceis

Rapaz, aqui em João Pessoa as coisas estão ficando difíceis, na orla da capital a noite é perigosa, o risco é ser seqüestrado e fazer um tour forçado pelos bancos da cidade. Em outros bairros os ladrões abordam motoristas e tomam deles seus carros para praticar outros assaltos.

No centro da cidade, durante todo o dia, os batedores de carteira estão aproveitando o aumento no movimento do comércio para "tirar o décimo terceiro".

Na última madrugada o presídio Sílvio Porto, que está superlotado com quase o dobro de presos que deveria, teve uma grade serrada e não se sabe ainda quantos "moradores se mudaram."

Um outro preso, foi levado a um médico para fazer exames e lá foi resgatado por colegas de profissão que ainda trocaram tiros com a polícia.

Isso tudo sem contar que existe, em Tambaú, um rapaz que faz assaltos usando um revólver há uma quadra da primeira Delegacia Distrital.

Mas o mais pitoresco foi a prisão de um pedreiro em Bayeux, tudo bem, eu comecei o texto falando só de João Pessoa, mas Bayeux é aqui do lado...

O pedreiro vinha com os dois filhos de um serviço quando foi abordado por um homem armado que supostamente queria o dinheiro do pedreiro. Depois de um luta corporal, o suposto trabalhador consegui tomar a arma e botar o ladrão para correr.

Agora vem o mais interessante, quando o pedreiro foi à delegacia para dar queixa e devolver o revólver, o homem que tentara o assaltar já estava lá e deu queixa contra ele por tentativa de assalto, o delegado não teve dúvida, prendeu o pedreiro!

Na verdade acho que a autoridade não entendeu, o rapaz devia estar se queixando da arma roubada.

quarta-feira, 16 de novembro de 2005

Quem são os animais?

Duas crianças foram atacadas por cães ferozes, uma delas ficou muito machucada e passou por diversas cirurgias plásticas. Foram dois casos separados, uma menina entrou na casa onde a mãe trabalhava e foi atacada pelo cachorro. No outro caso, um menino pulou o muro de uma fábrica e acabou sendo atacado por dois cães que vigiavam o local junto com um segurança.

Como os cães em questão eram Pitbulls, iniciou-se um grande alarde e todos os meios de comunicação procuraram e publicaram as histórias. Sempre que isso acontece a questão "cães assassinos" volta à tona. Em alguns estados do Brasil algumas raças já foram proibidas por serem consideradas perigosas demais.

Eu tenho pena, pois toda vez que a discussão cai para este lado os reais responsáveis ficam impunes. Certamente o dono da fábrica em questão comprou cães que ele acreditou fossem os mais ferozes e os criou assim para "defender" sua propriedade. Ele não queria um cão para latir e avisar o segurança, ele não queria um cão para passear, ele queria um cão para atacar os invasores. Foi o que seus cães fizeram.

Sem treinamento adequado e criados de forma agressiva os cães só pararam o ataque quando o segurança, também sem treinamento, atirou e matou um deles.

Na minha opinião, devia-se discutir a posse responsável para que só quem pudesse adquirir cães de grande porte fossem pessoas que pudessem comprovar saber como tratar e cuidar destes animais. Mas, para começar, acho que deveria-se processar e prender os donos dos cães que atacassem pessoas, independente de sua raça, cor ou poder financeiro.

Eu sempre relaciono esses casos à hipótese de quem cria leões. Se um leão for criado entre ovelhas e pessoas, ele será tão dócil quanto uma ovelha. Não deixa de ser perigoso, já que pesa 300 quilos e tem dentes e unhas muito afiadas.

Se alguém cai na jaula de um leão no zoológico e é atacado, o parque responderá a processos porque não evitou que a pessoa caisse na jaula. Portanto, não adianta culpar um cão por defender seu território, temos é que responsabilizar quem colocou um cão sem treinamento numa situação em que ele poderia machucar alguém.

terça-feira, 8 de novembro de 2005

Menos dois jornalistas

Bangcoc, EFE - Um grupo armado assassinou o editor de um jornal da região muçulmana da Tailândia, tornando-se o segundo jornalista morto de forma violenta em uma semana no país, informou hoje a imprensa tailandesa.

Abdulloh Mama, de 37 anos e editor do jornal Thongtin Thai, morreu ontem à noite após ser atingido por cinco tiros efetuados por vários homens não identificados na cidade de Narathiwat.
O jornalista chegou morto ao hospital, e a Polícia ainda investiga o assassinato. Os investigadores, no entanto, descartam que o assassinato esteja relacionado com o conflito separatista que aflige essa região e que causou a morte de mais de mil pessoas desde janeiro de 2004.

Na semana passada, outro jornalista foi assassinado na turística Pattaya, sem que a autoria do crime tenha sido esclarecida.

quarta-feira, 2 de novembro de 2005

O preço da liberdade

O senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) ameaçou dar "uma surra" no presidente Lula e gerou polêmica no Congresso. Apesar disso, recebeu apoio da senadora Heloísa Helena (PSOL-AL) e do deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA).

Primeiro gostaria de dizer que a senadora Heloísa já esteve melhor acompanhada em sua história política e depois comemorar o momento político que vivemos. Comemorar?!?? É, meu bom leitor, comemorar.

Quando, em toda a história política do Brasil, um senador teria a petulância de ameaçar um presidente da república? Isso em cadeia nacional, de forma aberta. E mais! Com outros dois parlamentares endossando.

Estamos vivendo um momento político que permite que juizes sejam presos, que o presidente do partido do presidente eleito seja julgado e esteja às vias de fechar. Um momento que só existe pela liberdade dada às várias instancias da justiça, incluindo as polícias. A polícia Federal investiga a Federação e seus maiores representantes.

É claro que toda essa liberdade tem um preço. Para mim, a pior parte é ser obrigado a ouvir asneiras e idiotices todos os dias. Tem muita gente falando demais e desnecessariamente. Esse é o preço, alto aliás, mas eu ainda prefiro isso à censura, à ditadura, à repressão. Então, vamos deixar coroneizinhos falarem suas bobagens, vamos deixar os ignorantes que não sabem viver em liberdade se manifestarem.

"Quem tem boca fala o que quer...", ditado popular
"Em boca fechada não entra mosca", idem