terça-feira, 17 de maio de 2016

O ato subversivo de caminhar


Resolvi nos últimos dias fazer alguns trajetos diários a pé ao invés de usar o carro. Caminhadas de cerca de 20 minutos me separam dos meus objetivos diários e eu achei que seria uma boa fazer isso e gastar uns 10 minutos a mais que de carro.

Acabei por descobrir coisas bem interessantes pelo caminho. A maioria dentro da minha própria cabeça.

De fora do carro dá para pensar na vida sem correr o risco de bater ou atropelar alguém. E observar situações e pessoas que, de dentro do carro, são apenas manchas na paisagem (depois conto algumas dessas histórias).

Mas o que mais me impressionou foi perceber o quão subversiva pode ser a opção de andar a pé. Não falo aqui das caminhas de exercício, mas da caminhada como forma de locomoção.

Também não quero pregar que todos devessem trocar os demais meios de locomoção pela caminhada, ainda mais quando sei que os que mais precisam são justamente os que são "mandados" à periferia.

Mas pensa comigo. Ir para a escola ou trabalho a pé não paga, não te limita aos horários dos transportes públicos, não consome gasolina, não polui o ambiente, não te faz rodar duas vezes mais para fugir do trânsito.

Nos meus últimos exames de check-up, os dois índices que estavam abaixo do recomendado eram os da Vitamina D e do "colesterol bom". Ou seja, me falta tomar sol e fazer exercícios. Mas troquei os remédios e complementos pela caminhada.

Nem tudo são flores. Nossas calçadas e o próprio trânsito não são feitos para quem não anda de carro ou quer andar. Os ciclistas que o digam. São buracos, calçadas destruídas, cocô de cachorro (muitos!), ausência de calçadas, plantas de galhos baixos, mato alto...

Ou seja, tudo é feito para que você se enquadre num sistema que vende carros, vende gasolina, vende pneus, vende passagens, vende asfalto, vende, vende, vende... aí, veja que loucura é um sujeito que resolve andar a pé só de safadeza. 


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subversivo
adjetivo
1. que subverte; que causa subversão.

2. adjetivo substantivo masculino

que ou aquele que prega ou executa atos visando à transformação ou derrubada da ordem estabelecida; revolucionário.

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Em defesa da EBC, uma empresa pública de comunicação

Segue texto da Federação Nacional dos Jornalistas Profissionais sobre o golpe na autonomia do órgão. Lei 11.652/2008, em seu artigo 19, parágrafo 2º, dispõe que o mandato do diretor-presidente da EBC, de livre nomeação por parte do presidente da República, será de 4 anos.
Leia abaixo a nota da Fenaj na íntegra ou direto na página da federação.

A Federação Nacional dos Jornalistas – FENAJ vem a público defender a Lei 11.652/2008, que instituiu as diretrizes para a comunicação pública no Brasil e criou a Empresa Brasil de Comunicação – EBC. Notícias não confirmadas pelo Palácio do Planalto afirmam que o presidente interino, Michel Temer, pretende substituir o diretor-presidente da EBC, jornalista Ricardo Melo, pelo também jornalista Laerte Rímoli, que seria de sua confiança. As mesmas notícias também dão conta de que Temer pretende fazer alterações na Lei.

Independentemente das qualificações profissionais dos jornalistas Ricardo Melo e Laerte Rímoli, a FENAJ chama atenção para o fato de que a Lei 11.652/2008, em seu artigo 19, parágrafo 2º, dispõe que o mandato do diretor-presidente da EBC, de livre nomeação por parte do presidente da República, será de 4 anos. O jornalista Ricardo Melo foi nomeado pela presidente Dilma Rousseff no dia 3 de maio e, portanto, está iniciando o seu mandato, que não poderá ser interrompido, a não ser nas condições estabelecidas pela mesma lei.

A FENAJ alerta para os perigos da quebra da legalidade nessa e em outras situações da vida nacional. As normas legais são instituídas para que vontades e interesses particulares não se sobreponham aos interesses coletivos da sociedade.

No caso da EBC, o legislador teve o cuidado de instituir regras para que a empresa nacional, criada para desenvolver atividades públicas de comunicação, não se transforme em uma empresa a serviço do mandatário do governo federal. O presidente da República tem o poder de nomear o diretor-presidente da EBC, mas não tem o poder de destituí-lo, antes do término do seu mandato. A destituição somente é possível por grave desrespeito às regras que regem sua função e por deliberação do Conselho Curador, órgão da administração da empresa, que conta com representantes do governo e da sociedade civil.

Neste sentido, a FENAJ defende o mandato do diretor-presidente recém-nomeado e afirma que o presidente interino não poderá substituí-lo, a não ser que passe por cima da Lei 11.652/2008, num gesto flagrantemente ilegal e autoritário.

A FENAJ também repudia qualquer tentativa de mudança na citada lei, sem amplo debate com a sociedade civil e, principalmente, sem ouvir os trabalhadores da EBC que, desde a sua criação, trabalham para a instituição de uma comunicação verdadeiramente pública no Brasil.

A Federação Nacional do Jornalistas reafirma seu compromisso com a defesa das liberdades de expressão e de imprensa, o direito à comunicação, a radiodifusão pública, a autonomia da EBC e de seus trabalhadores. Contra todo tipo de golpe e contra o arbítrio.

Brasília, 15 de maio de 2016.

Diretoria da FENAJ
Segue texto da Federação Nacional dos Jornalistas Profissionais sobre o golpe na autonomia do órgão.

A Federação Nacional dos Jornalistas – FENAJ vem a público defender a Lei 11.652/2008, que instituiu as diretrizes para a comunicação pública no Brasil e criou a Empresa Brasil de Comunicação – EBC. Notícias não confirmadas pelo Palácio do Planalto afirmam que o presidente interino, Michel Temer, pretende substituir o diretor-presidente da EBC, jornalista Ricardo Melo, pelo também jornalista Laerte Rímoli, que seria de sua confiança. As mesmas notícias também dão conta de que Temer pretende fazer alterações na Lei.

Independentemente das qualificações profissionais dos jornalistas Ricardo Melo e Laerte Rímoli, a FENAJ chama atenção para o fato de que a Lei 11.652/2008, em seu artigo 19, parágrafo 2º, dispõe que o mandato do diretor-presidente da EBC, de livre nomeação por parte do presidente da República, será de 4 anos. O jornalista Ricardo Melo foi nomeado pela presidente Dilma Rousseff no dia 3 de maio e, portanto, está iniciando o seu mandato, que não poderá ser interrompido, a não ser nas condições estabelecidas pela mesma lei.

A FENAJ alerta para os perigos da quebra da legalidade nessa e em outras situações da vida nacional. As normas legais são instituídas para que vontades e interesses particulares não se sobreponham aos interesses coletivos da sociedade.

No caso da EBC, o legislador teve o cuidado de instituir regras para que a empresa nacional, criada para desenvolver atividades públicas de comunicação, não se transforme em uma empresa a serviço do mandatário do governo federal. O presidente da República tem o poder de nomear o diretor-presidente da EBC, mas não tem o poder de destituí-lo, antes do término do seu mandato. A destituição somente é possível por grave desrespeito às regras que regem sua função e por deliberação do Conselho Curador, órgão da administração da empresa, que conta com representantes do governo e da sociedade civil.

Neste sentido, a FENAJ defende o mandato do diretor-presidente recém-nomeado e afirma que o presidente interino não poderá substituí-lo, a não ser que passe por cima da Lei 11.652/2008, num gesto flagrantemente ilegal e autoritário.

A FENAJ também repudia qualquer tentativa de mudança na citada lei, sem amplo debate com a sociedade civil e, principalmente, sem ouvir os trabalhadores da EBC que, desde a sua criação, trabalham para a instituição de uma comunicação verdadeiramente pública no Brasil.

A Federação Nacional do Jornalistas reafirma seu compromisso com a defesa das liberdades de expressão e de imprensa, o direito à comunicação, a radiodifusão pública, a autonomia da EBC e de seus trabalhadores. Contra todo tipo de golpe e contra o arbítrio.

Brasília, 15 de maio de 2016.

Diretoria da FENAJ