terça-feira, 19 de maio de 2009

A Paraíba e seus representantes

Hoje, ouvindo o discurso, na TV Senado, do senador Efraim Morais, que se defendia de denúncias feitas por Veja contra ele, fiquei pensando em como nós, paraibanos, estamos mal representados. Claro que, de acordo com o injustiçado senador, ele é o melhor exemplo que este estado poderia ter. Eu duvido.

Além de mostrar documentos que não provam nada, muito menos sua idoneidade, Efraim apelou para o preconceito contra os nordestinos, que obviamente existe, mas não dá o direito de fazer o que bem quiser. Oras, empregar os parentes e mais 2 mil camaradas que nem batem cartão é de se denunciar mesmo.

Depois disso, o aspirante a candidato a governador jogou a culpa no presidente do Senado. "Quem nomeia é o presidente da Casa". Ele omite, no entanto, que na primeira secretaria é ele o responsável por verificar a viabilidade das contratações e dar parecer pela contratação ou não de pessoas e serviços.

Outra coisa estranha é quantidade de paraibanos que o "presidente do Senado" resolveu contratar. Será que o José Sarney já morou por aqui?

Mas se você acha que Efraim é excessão, deixa eu te contar uma coisa. Curiosamente no link Notícias dos Senadores nos Principais Jornais, na página do Senado na Internet não tem nenhum link dos senadoresparaibanos. Entenda como quiser.

Mas, entre Efraim "Parentes e Fantasmas Empregados", Cícero "Calçada de Um Milhão de Reais" e Roberto "Polyutil" fico com o bom e velho voto nulo. Como chegamos a isso? Não sei. Mas não quero ser responsável por nada que esse povo fizer por lá.

sábado, 16 de maio de 2009

Paraíba mais uma vez em destaque na mídia nacional. Parabéns

Homenageado: Efraim Morais
Senador mantinha 52 funcionários fantasmas

Revista Veja

Há quatro meses, o Senado enfrenta uma onda de escândalos que tem como epicentro o gabinete ocupado até janeiro passado pelo senador Efraim Morais, do Democratas da Paraíba. A mais nova descoberta assustadora é que o senador paraibano mantinha uma tropa de 52 funcionários fantasmas em seu gabinete, oficialmente contratados para trabalhar no Congresso, mas que, na verdade, eram cabos eleitorais pagos pelo contribuinte apenas para tocar assuntos de interesse exclusivo do senador e de seus aliados. Um comitê eleitoral permanente financiado com dinheiro público.

Efraim Morais está na vida pública há 27 anos. Já foi três vezes deputado estadual, teve dois mandatos de deputado federal, presidiu a Câmara por dez meses e está no Senado desde 2003. Apesar do currículo extenso, ele jamais se destacou pela atividade política. O parlamentar é conhecido pela desenvoltura com que transita em áreas que tratam sobre comissões, cargos, compras, licitações e contratações de funcionários. Nos últimos quatro anos, Efraim esteve à frente da primeira-secretaria, cujas funções e assemelham às de um prefeito da casa. Nesse período, milhões de reais desapareceram em contratos fraudados e burocratas fizeram fortuna da noite para o dia.

VEJA teve acesso a uma planilha de computador onde estão listados os fantasmas do senador Efraim. Ao lado de cada nome, há o padrinho político, o cargo, a lotação e a data da contratação do "servidor". Tudo bem detalhado, mostrando que Efraim tinha total controle da máquina política que montou. Só em salários, os fantasmas custaram aos cofres públicos 6,7 milhões de reais ao longo dos quatro anos em que o senador ocupou a primeira-secretaria. Era uma vantagem e tanto que o senador tinha em relação a seus adversários no estado, principalmente quando se vai apurar o que seus "servidores" faziam.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Assistindo a vida pela janela

Esta noite quando eu deixava a redação presenciei, não posso dizer que fiz mais do que isso, apenas presenciei, uma situação que me deixou mal. Quando descia a rua do jornal de carro vi três homens em pé ao redor de uma menino sentado no chão. Eles estavam próximos à esquina que eu tinha que dobrar. Passei bem perto deles com o carro e reparei que o menino chorava.

Depois de ver isso, senti que precisava voltar, passar por lá outra vez. Não entendi a situação, mas me pareceu que os homens ameaçavam o menino. Dei a volta no quarteirão. Enquanto isso pensei em várias possibilidades, inclusive na de ser um atrativo para assaltar quem vai passando e para.

Quando ia passar por eles outra vez, já tinha escondido o telefone e me preparado para ser assaltado. Mas eu tinha que parar. Parei. Desci do carro logo que percebi que não havia agressividade contra o menino. A cena toda acontecia na frente do TRE de João Pessoa, mas como já eram quase 21h, a rua já estava deserta.

Fui até lá e perguntei o que estava acontecendo. O menino chorava mesmo, mas os homens pareciam querer ajudá-lo. Um deles me disse que o menino, que devia ter no máximo 11 anos, estava ali chorando porque não havia comida em casa e sua mãe estava desesperada. Ele queria uma cesta básica. Os homens, trabalhadores que voltavam para casa, já havia dado algum dinheiro a ele.

Eles me contaram que um outro cidadão viria trazer mais alguma coisa para o menino e apontaram para o TRE. Supostamente algum funcionário de lá. Todos empenhados em ajudar o necessitado. Mas eu, a única coisa que pensei foi: "esse menino está chorando a força para comover as pessoas. A mãe dele deve ter mandado ele para cá para isso". E perguntei: "você tem como voltar para casa? Quer que eu chame alguém do conselho tutelar?"

Apesar de ser uma pergunta cabível. Eu a fiz, sem querer, com tom ameaçador. Eu não estava comovido. Tratei a situação como um golpe. E depois que ele respondeu que sabia voltar para casa e que tinha dinheiro para isso, eu me virei e fui embora. Os demais ficaram com ele e davam dicas: "não fique aqui no meio da rua que podem tomar o dinheiro que você já conseguiu".

Eu entrei no carro e segui em frente. Só dois quarteirões abaixo é que saí do "modo de defesa" que havia entrado automaticamente e me dei conta de quão rude fora. Lembrei das palavras dos promotores da infância que dizem para nunca dar dinheiro para estas crianças, lembrei das matérias que já escrevi a respeito. Mas nada disso me pareceu certo.

E se eu pudesse realmente ter ajudado aquele menino? Será que se eu oferecesse ajuda, poderia realmente resolver os problemas dele? Quem garante que ele é mais um daqueles casos de crianças "adestradas" para sustentar pais exploradores? Como é que eu posso estar tão calejado ao ponto de um choro de criança não me tocar mais.

Afinal, por que eu dei a volta no quarteirão? Por que eu fui até lá? Será que foi apenas para me enganar achando que fiz a coisa certa em voltar? Será que foi para me sentir melhor? Se foi, por que me sinto tão mal agora?

quarta-feira, 6 de maio de 2009

O filho de Maria

Maria tinha um filho.

Ela trabalhava na casa de um granfino no bairro ao lado. É diarista. Ela própria morava em das comunidades com nome de santo. Dessas tantas que crescem às margens das cidades, nas beiras de rios e subindo morros.

No começo via o filho todo o tempo: menino, desce daí. Menino vem embora. Menino, tu te lasca. Depois passou a vê-lo no fim do dia, quase sempre já dormindo. Em seguida, só o via nos fins de semana. Logo passou a ver o filho só nos domingos que ela ordenava sua presença.

Ultimamente, no entanto, só sabia dele através das histórias dos vizinhos: ele bateu, ele pulou muro, ele não quer nada com a vida, ele é ladrão. Mas como pode Maria cuidar de um filho que ela não vê, não conhece mais?

Na escola, ele não ia, mas ela só ficou sabendo um ano depois que ele deixou, quando foi tentar nova matrícula. Nem tendo esperado a noite, ela toda conseguiu desta vez.

Hoje de manhã vieram lhe contar. Maria, tem filho caiu. Não foi topada, não foi tropeço. Foi tiro. Dois. Um no peito, um na cabeça. A polícia estava lá. Não, a polícia chegou depois. Não, a polícia estava lá.

Enfim, seu filho morrera. Morrera de tiro. Agora, uns apontavam como ladrão, uns diziam ser vagabundo. Alguém disse: é bandido. Maria falou: é meu filho! A polícia disse: foi acerto de contas. Alguém cochichou: foi limpeza. Maria gritou: é meu filho!

terça-feira, 5 de maio de 2009

Sem noção

Reparem neste camarada de azul. Veja como ele conseguiu estragar a minha foto. Aliás, estragou a de todos os presentes, inclusive a dele próprio, que, sem noção, estava muito próximo do "objeto".

Depois de duas horas esperando a saída do grupo de ações táticas da polícia militar que vistoriavam o Fórum Criminal da Capital em busca de uma possível bomba, os soldados deixavam o prédio, que deveria aparecer ao fundo desfocado... lá está omané.

Parece mentira, mas o camarada, que nem jornalista é, surgiu com uma filmadora entre os policiais e os fotógrafos e estragou a imagem planejada por todos, que já esperavam degraus abaixo para poder mostrar o prédio por trás dos homens.