domingo, 28 de fevereiro de 2010

Falsos índios promovem o terror no sul da Bahia

Um amigo jornalista teve o pai, produtor rural, agredido e ferido a bala na Bahia e escreveu um texto-protesto que eu reproduzo na íntegra abaixo:

Terra sem lei
Falsos índios atentam contra a vida e invadem terras impunemente na região cacaueira do sul da Bahia


A zona rural de Buerarema, pequena cidade encravada na região sul da Bahia foi palco de um atentado sangrento na última quarta-feira!! Munidos das mais vis das armas: ganância, oportunismo e chumbo, impostores, travestidos de índios, armaram uma emboscada contra pequenos produtores rurais da localidade.

O caso aconteceu na Fazenda Serra das Palmeiras, pertencente ao agricultor Manoel Dias. A propriedade rural, mesmo dispondo de um interdito proibitório, que a protege juridicamente contra invasões, foi tomada pelos supostos “índios” na semana anterior. Reconhecendo os direitos do proprietário a Polícia Federal foi ao local prender os invasores, que como sempre fugiram, mas após a saída dos agentes realizaram nova ocupação, desta feita de forma ainda mais virulenta, com depredação do patrimônio e saques, transferindo máquinas agrícolas e até eletrodomésticos da casa-sede para a moderna “aldeia”, nada mais do que um Quartel General dos vândalos, montado estrategicamente pela “nova tribo” no entorno das terras visadas. Nem mesmo as sete famílias de trabalhadores da localidade foram poupadas, tendo os próprios móveis roubados pelos agressores.

Menos de uma semana depois, na mesma propriedade, aconteceu o mais assombroso episódio, quando os posseiros revelaram todo o destemor e descaso com a justiça. Após 20 agentes da PF realizarem sem sucesso a segunda busca no local e posteriormente se retirarem, cerca de cento e cinquenta “índios” trocaram os tradicionais instrumentos de subsistência por pistolas, espingardas, metralhadoras, paus e ferros na tentativa de promover uma chacina contra o proprietário, trabalhadores e outros membros da Associação dos Pequenos Produtores Rurais de Ilhéus, Una e Buerarema, grupo formado por agricultores da região e que se articula juridicamente e através de mobilizações pela manutenção do direito adquirido a posse da terra.

Durante o massacre dos golpistas “indígenas” um trabalhador da propriedade rural foi baleado e permanece desaparecido, enquanto cerca de 10 pessoas entre produtores e trabalhadores foram feridas. Muitos tiveram que se submeter a intervenções cirúrgicas, enquanto alguns permanecem internados em estado grave com ferimentos a bala e marcas de espancamento a pau e pedra. Sob uma saraivada de tiros os sobreviventes fugiram em um caminhão, tendo ainda que superar as armadilhas deixadas pelos agressores como pneus furados, porteira fechada, troncos na estrada e até uma ponte derrubada. Eles só escaparam porque após o caminhão quebrar, conseguiram alcançar uma fazenda vizinha, onde foram abrigados até a achegada de reforço. O veículo utilizado na fuga foi completamente destruído e incendiado pelos vândalos (como mostra foto em anexo).

Infelizmente, afora este instinto sanguinário dos “pseudo-índios”, tais práticas criminosas são frutos do desmando financiado pelo próprio Estado de Direito, que rasga a Constituição e fere o direito inalienável a posse, estas mesmas adquiridas legalmente através de títulos de propriedade emitidos pela própria União!!

Uma aberrante demarcação de terras proposta pela Fundação Nacional do Índio prevê a reserva de nada menos que 47 mil hectares para 300 famílias indígenas, quando hoje, apenas as terras particulares inclusas no pacote, sustentam nada menos que 5 mil famílias de pequenos produtores rurais. A velha política de “descobrir uns pra cobrir outros”, aparece de forma mais abominável ainda neste caso, quando os protegidos nada mais são que trapaceiros.

Não estamos tratando de latifúndios, ou grileiros de terra, mas de agricultores, que já combalidos pela devastadora praga da vassoura de bruxa e conseqüente débâcle da lavoura cacaueira, passam agora a ter um projeto de vida ameaçado por aproveitadores, que agem impunemente, enquanto o Estado, que deveria conceder estabilidade e segurança jurídica aos proprietários, apenas assiste passivamente.

O processo de demarcação de terras ainda corre no âmbito administrativo do Governo Federal e, portanto os agricultores continuam possuindo plenos poderes sobre as terras. Mas, acreditando estarem respaldados por este aparente confisco institucionalizado os “novos índios” (pasmem, a maioria deles também produtores rurais) já invadiram e mantêm ocupação em 24 propriedades. Eles se aproveitam ainda de outra distorção legal, que garante a consideração de qualquer pessoa como índio, através de uma simples assunção como tal. Assim, camuflados, sob os direitos especiais da nova etnia, destilam suas arbitrariedades e sede de posses, passando por cima da lei e usurpando o que estiver pela frente.

Estes episódios só remontam a trágica história da colonização sul-baiana quando as mesmas torpes ambições legitimavam o roubo de terras através de tocaias e caxixes. Em seus férteis versos Jorge Amado definiu a civilização grapiúna (sua origem por sinal), como uma “terra adubada com sangue” e, infelizmente, o passado desumano e injusto volta a assombrar como um fantasma a Terra do Cacau. E o pior de tudo à involução se faz à luz da justiça e autoridades competentes.

Marcos Thomaz

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Dicas para escrever melhor

Este texto é uma replublicação do blog Desculpe a Poeira. São dicas que o Guardian coletou de vários escritores para escrever um bom texto de ficção e várias servem também para os textos jornalísticos. Eu "achei" a dica no blog Novo em Folha. Não concordo 100% com todas, mas vale a leitura.
  • Nunca use um verbo além de "disse" em um diálogo [depois das aspas]. A linha do diálogo pertence ao personagem [fonte]; o verbo é o escritor [jornalista] metendo seu nariz na fala. Mas "disse" é muito menos invasivo que "resmungou", "arfou", "advertiu", "mentiu" [ou "alegou", "reclamou", "ironizou"].
  • Nunca use um advérbio para modificar o verbo "disse". O escritor está realmente se expondo, usando uma palavra que distrai e pode interromper o ritmo do diálogo.
  • Tente tirar as partes que seus leitores tendem a pular. Pense no que você pula quando está lendo uma novela: parágrafos imensos em que você vê que têm palavras demais.
  • Faça exercícios para as costas. Dor distrai.
  • Prenda a atenção do leitor. (Isso funcionará melhor se você conseguir prender sua própria.) Mas você não conhece seu leitor, então é como atirar em um peixe com um estilingue no escuro. O que fascina A pode entediar B. [Tenha isso em mente]
  • Você nunca vai ler seu próprio livro [texto] com a antecipação inocente que surge toda vez que lemos aquela primeira página deliciosa de um novo livro [texto], porque você escreveu a coisa. Portanto, peça a um amigo [colega] para ler antes de dar a alguém para publicar. Esse amigo não pode ser ninguém com quem você tenha uma relação amorosa, a menos que queira terminar.
  • Releia, reescreva, releia, reescreva. Se não der certo, jogue fora.
  • Atenção aos clichês.
  • Os primeiros 12 anos são os piores.
  • Seja preciso.
  • Divirta-se escrevendo.
  • Escreva apenas quando tiver algo para dizer.
  • Escreva um livro [texto] que você gostaria de ler. Se você não o leria, por que outro faria isso?
  • Leia tudo o que puder.
  • Aprenda a ser auto-crítico.
  • Seja persistente.
  • Sempre carregue um bloco de notas.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Direitos autorais: como lidar com o plágio

Tem crescido o número de plágios por aí. É perceptível. Denúncias e notícias sobre esse tipo de apropriação têm circulado com uma velocidade e num volume maiores que anos atrás.

O primeiro catalisador que nos vem à mente é a internet, que possibilita o já consagrado Control C + Control V com uma facilidade antes não encontrada. Mas se a web permite copiar e colar também permite identificar fraudes, cópias e outras violações do tipo.

A percepção é de Rogério Christofoletti que publicou em seu blog, em 21/2/2010. Título original "Plágio preocupa. Como lidar com ele?" Confira a matéria na íntegra clicando aqui.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

No Carnaval pode tudo!

Então chegou carnaval. Ou pelo menos o pré-carnaval. E como sempre, o pior das pessoas aflora. Não entendo o porquê disso, será que estão levando a sério a história da quaresma e tal? Acho que não. O povo quer se divertir, ser irresponsável, se desligar das questões morais e fazer tudo que Deus(?!) não permite nos dias normais e muito menos na Semana Santa.

Por conta disso, neste período vale tudo. Andar na contra-mão, baixar as calças no meio da rua, na frente de quem quer que seja e fazer xixi, ou coisa pior. Também vale beber até perder a consciência, vomitar nos outros, provocar brigas, arranhar carros, atacar as mulheres, desrespeitar os homens, enfim, tudo que qualquer um de nós repreenderíamos num "dia comum".

Pois eu não sei se estou só neste mundo, mas não concordo com isso. Acho que é possível festejar, brincar, foliar sem desrespeitar os outros, sem necessariamente ter que criar problemas. Na verdade, não entendo porque as pessoas agem de maneira tão diferente quando é carnaval. No São João, Réveillon, Natal, e em outras datas comemorativas não há este tipo e transtorno.

Então imagine no seu aniversário, eu chegando com um vidro de lança-perfume, já completamente embriagado, pulando e gritando, passando a mão na sua mãe, esposa ou namorada e depois indo fazer xixi na porta do seu banheiro (desocupado!). Inadimissível, né? Pois no Carnaval pode!