sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

O jornalismo está morrendo

O jornalismo parece estar acabando. E não é pelo motivo que se previa. Não é pela participação cada vez maior do público na produção da notícia. Não tem a ver com a mudança dos veículos ou com o aumento do preço do papel. Não tem a ver com a TV tomar o lugar do rádio, ou da Internet tomar o lugar da TV. Tem a ver com o motivo de se fazer jornalismo.

A função social do jornalismo é quase ignorada. Se faz notícia pela notícia. Sem motivo, sem razão, sem objetivo. Se diz que é pela audiência, mas nem isso é.

Vivemos um momento em que muitos jornalistas abusam da confiança conseguida com suas fontes. Vivemos um momento em que os poderosos ou simplesmente brutos de plantão agridem e descumprem os direitos do cidadão na frente dos jornalistas por saber que eles não dirão nada (!).

Foi-se o tempo em que dar informação errada era vergonhoso, era humilhante. Hoje, não há compromisso com a verdade. Hoje, não há compromisso com os leitores/ouvintes/telespectadores. Hoje as informações são apenas replicadas, sem checagem, sem apuração, sem garantias. Hoje há uma legião de jornalistas que sequer leu o Código de Ética da Profissão.

Já tive raiva de Gilmar Mendes por defender a não obrigatoriedade do diploma de jornalismo para contrações em redes de comunicação. Hoje eu vejo que a culpa é dos jornalistas, que não se organizam para garantir o bom funcionamento da comunicação e acabam à mercê de tribunais e ações de associações empresariais. A culpa é nossa.

A culpa é nossa quando aceitamos que pessoas ignorantes ocupem o lugar de jornalistas. É nossa culpa quando permitimos e somos indulgentes quando temos nosso conteúdo intelectual roubado ou usado inescrupulosamente. A culpa é nossa quando é preciso que o Ministério Público nos diga que estamos fazendo jornalismo do jeito errado.

Nosso sindicato e associação são um termômetro do que somos enquanto categoria hoje. Lutamos por salários melhores e só. O reflexo disso é que temos comunicadores que ganham bem, mas que não têm conteúdo, nem se importam com ele. E quando são questionados por isso, nossas entidades agem como mães superprotetoras que nos passam a mão na cabeça e repudiam quem está criticando.

Enfim, nós, os jornalistas, se não estamos matando o jornalismo, estamos deixando que o matem.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

O Coletivo rachado

Elza Fiúza/ABr
Chegou a hora de o coletivo se individualizar. O governador Ricardo Coutinho (PSB) formou, há tempos, um núcleo duro de apoio a tudo que fizesse. Esse grupo vem se fortalecendo e criando massa desde o tempo em que Ricardo panfletava para se eleger vereador na capital.

Pois bem. Esse núcleo, formado por Nonato Bandeira, Roseana Meira, Edvaldo Rosas e Estelizabel, entre outros, cresceu tanto em poder que, cada um de seus membros resolveu (ou precisou) ter seu próprio grupo de confiança. Assim, se formaram as castas no coletivo de Ricardo.

E diferente do que acontece em outros partidos, como PSDB ou PMDB, onde existem divisões, mas um lado é tão dominante que as disputas internas não afetam o andamento do todo, o PSB tem grupos ainda equilibrados e mal gerenciados pelo grande líder, o governador.

Ricardo parece gostar de ver seus liderados arengando, brigando por mais espaço, lutando por mais poder. E o resultado disso é o óbvio: lutas internas que enfraquecem todo o coletivo. E no momento em que Luciano Agra, representante importante da casta de Roseana Meira, não aguentou mais a pressão e desistiu de concorrer à reeleição, todos os grupos se alvoroçaram e agora querem seu lugar ao sol.

A saída prematura de Agra do pário, sim, prematura, pois dificilmente ele chegaria à eleição como candidato tendo em vista que ele passou a ser o aglutinador de todos os problemas da administração que ele pegou já no  sexto ano de mandado, mudou todos os planos.

De onde eu olho, vejo que Roseana apostava na reeleição de Agra, mesmo não sendo a vontade do governador. Vejo que Nonato adoraria assumir o lugar de candidato no último dia de inscrição e já sem correr o risco de ser culpado por nada que Ricardo ou Agra tenham feito.

Vejo que Estelizabel vem construindo uma carreira política mais lentamente, mas mais consistentemente e que não vê este como o momento certo para entrar na disputa pela Prefeitura. Vejo Edvaldo Rosas torcendo para que seus anos de defesa cega de Ricardo lhe valham, ao menos uma chapa de vice.

Mas aí, Agra desistiu. Tudo mudou. Ninguém mais sabe ao certo o que fazer. Roseana corre o risco de ter sua casta toda posta fora do poder. Se Nonato entra na disputa agora, se arrisca a ser desafiado e atacado pelos ciceristas e maranhistas de plantão. Estelizabel será empurrada para se candidatar à prefeitura, ou pior, à vice, atropelando seus planos. E Edvaldo Rosas... bem, ele vai ter que esperar mais um pouco.

E para quem acha que isso é tudo, saiba que com seu grupo enfraquecido, Ricardo tem tudo para perder o apoio de Cássio Cunha Lima (PSDB), que, para não ficar em "chapa derrotada" deve voltar seus créditos à candidatura de Cícero Lucena (PSDB) e sua sempre solícita confraria.

Foto de Elza Fiúza/ABr

sábado, 14 de janeiro de 2012

Luciano Agra e o lado B

Em João Pessoa, Agra desiste de se candidatar ao ceder aos ataques de seus oponentes de outros partidos, mas sobre tudo aos ataques que sofreu de seus próprios companheiros de gestão. É impossível dizer hoje quem é o maior inimigo do prefeito, mas eu tenho certeza de que são colegas de partido, eu diria que do lado B.

Agra foi usado de coelho, e eu diria que um coelho resistente, pois outros já teriam desistido antes ou botado a boca no trombone. Mas ele não. Aguentou calado as puxadas de tapete e série de ações desastradas da prefeitura que ele teve que assinar sem ler.

Há nesse grupo que quer seu mal gente administrando e vazando informações de licitações, mandando invadir, bater e quebrar e ainda gente atrasando as coisas de propósito. Pelo menos é assim que vejo todos os problemas de contratações e compras irregulares, as surras em camelôs e a destruição irresponsável do Aeroclube que todos, até então, queriam que se tornasse um parque.

Se é um bom administrador não sei, mas vejo nesses problemas citados e em outros tantos, mais do que inabilidade administrativa. Vejo má fé. E se fosse má fé dele, teria que se incluir à ela a falta de inteligência, que eu não que seja o caso.

Nos cabe agora apenas esperar para ver quem será esse novo ator a se apresentar. Mas eu, como último palpite, não acredito que essa nova peça já esteja definida. Temos algumas na agulha, mas o pensador, o autor de tudo só se apresentará se a situação for favorável. Não sendo, Estelizabel deve ser empurrada a contra gosto para uma campanha sem futuro.

___________________________________
Não entendeu nada? Então leia o texto abaixo

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Olha aí! 106 livros sobre mídias sociais, comunicação e web para download

O Blog Mídia8! postou uma lista de e-books gratuitos sobre comunicação, mídias sociais e web. Como este é o meu ano de voltar para a academia, pretendo ler o máximo que puder sobre o assunto e aproveito para também deixar os links para os leitores deste blog.

Já há por aqui um outro post (153 livros sobre mídias sociais, comunicação e web 2.0 para download) com uma lista de outros livros para baixar. (Obrigado Ana por me enviar o link)

Seguem abaixo:


Português:
01. Como escrever para a web (Guillermo Franco)
02. O que é o virtual? (Pierre Lévy)
04. Web 2.0: erros e acertos (Paulo Siqueira)
05. Para entender a internet (org. Juliano Spyer)
06. Redes sociais na internet (Raquel Recuero)
07. Televisão e realidade (Itania Gomes)
08. Autor e autoria no cinema e televisão (José Francisco Serafim)
09. Comunicação e mobilidade (André Lemos)
10. Comunicação e gênero: a aventura da pesquisa (Ana Carolina Escosteguy)
11. Conceitos de comunicação política (org. João Carlos Correia)
13. Informação e persuasão na web (org. Paulo Serra e João Canavilhas)
14. Teoria e crítica do discurso noticioso (João Carlos Correia)
17. O marketing depois de amanhã (Ricardo Cavallini)
19. Grandes Marcas Grandes Negócios (José R. Martins)
20. Relações Públicas digitais (org. Marcello Chamusca e Márcia Carvalhal)
21. Ferramentas digitais para jornalistas (Sandra Crucianelli)
30. Retória e mediação II (orgs. Ivone Ferreira e María Cervantes)
32. Comunicação e estranheza (Suzana Morais)
34. Manual da teoria da comunicação (Joaquim Paulo Serra)
35. Estética do digital: cinema e tecnologia (orgs. Manuela Penafria e Mara Martins)
36. Jornalismo digital e terceira geração (org. Suzana Barbosa)
37. Comunicação e ética (Anabela Gradim)
40. Teorias da comunicação (orgs. José Manual Santos e João Correia)
41. Comunicação e poder (org. João Correia)
42. Comunicação e política (org. João Correia)
43. Manual de jornalismo (Anabela Gradim)
44. A informação como utopia (Joaquim Paulo Serra)
45. Jornalismo e espaço público (João Correia)
50. Campos da comunicação (orgs. Antônio Fidalgo e Paulo Serra)
51. Jornalistas da web: os primeiros 10 anos (Jornalistas da web)
52. Onipresente (Ricardo Cavallini)

Inglês:
01. The new rules os viral marketing (David Meerman Scott)
02. Podcast marketing ebook (Christopher Penn)
03. Social web analytics (Social Web Analytics)
04. Masters of marketing (Starup Internet Marketing)
05. Get viral ger visitors (Stacie MAhoe)
07. The zen of blogging (Hunter Nutall)
08. A primer in social media (Smash Lab)
09. SEO for WordPress blogs (Blizzard Internet)
11. The word of mouth manual – vol. II (Dave Balter)
12. Time management for creative people (Mark McGuinness)
13. Social media: your organisation and web 2.0 (Trevor Cook e Lee Hopkins)
15. The impact of digital on journalism in Latin America (Guillermo Franco)
16. What matters now (Seth Godin)
17. Red kayaks and hidden gold: citizen journalism (John Kelly)
18. Science and the media (Donald Kennedy e Overholser Ginebra)
19. New media makers (Jan Schaffer´s)

Espanhol:
01. Comunicación multicultural em Iberoamérica (José Marques de Melo)
02. Marketing e comunicación (José Sixto García)
04. Herramientas digitales para periodistas (Sandra Crucianelli)
07. El impacto de las tec. digitales en el periodismo en AL (Guillemro Franco)
08. Inteligencia colectiva (Pierre Lévy)
09. Predicciones para los Social Media 2010 (Marc Cortés)
10. Geekonomía (Hugo Pardo)
11. Manual de periodismo independiente (Deborah Potter)
12. La revolución de la prensa digital (Cuadernos de Comunicación Evoca)
13. Dictadura del diseño (Carlos Carpintero)
14. Quiénes son los YouTubers? (Estudio de usuarios)
15. Comunidades online 2009 (Miguel Cornejo)
16. El modelo de la nueva agencia (diversos autores)
17. Web 2.0 (Antonio Fumero)
18. Más allá de Google (Jorge Juan Fernández)
19. Necesidades de formación para medios digitales (Guillermo Franco)
20. Crónicas argentinas (Juan Pablo Menezes)
21. Nosotros, el medio (Chris Willis e Shayne Bowman)
22. Cómo escribir para la web (Guillermo Franco)
23. Claves del nuevo marketing 2.0 (diversos autores)
24. Lan gran guía de los blogs (Francisco Polo)
25. Periodismo 2.0 (Mark Briggs)
26. Valores y criterios de la BBC (BBC)
27. Glosario básico de internet (Rafael Fernández Calvo)
28. Branding corporativo (Paul Capriotti Peri)
29. Los desafíos del periodismo (Media Matters)
30. 100 BM digital tips (Burson-Marsteller)
31. Comunicación local y nuevos formatos periodísticos en internet
32. La sociedad de control (Jose Alcántara)
33. Publicidad 2.0 (Paúl Been)
34. Software libre (Jordi Hernàndez)
35. Movilidad en la Pyme (José Colvée)

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

E todo novo é bom?

Durante o programa Hora do Rush, do qual participo como comentarista todas as noites na 101FM, o prefeito de Campina Grande Veneziano Vital (PMDB) ligou para anunciar em primeira mão que Tatiana Medeiros será a candidata do PMDB a concorrer à prefeitura da cidade.

Naquele momento, sem outras informações, só pude comemorar a entrada de mais uma pessoa no mundo da política. Obviamente reconheço que esta entrada acontece sob as asas de um grande e tradicional partido, mas sempre acredito que as pessoas decidem mais que os partidos (e isso não é necessariamente uma virtude).

Tanto durante o programa, quanto depois, via web, fui contestado quanto ao termo “novo” que usei para qualificar a candidata. O argumento contra minha comemoração se deu, principalmente, por conta da onda de demissões e outras ações impopulares do atual governador Ricardo Coutinho (PSB) que se auto intitulou representante do novo nas últimas eleições.

Mas lembro que este não é o primeiro cargo eletivo do governador e que o fato de ser novo no mundo da política não garante a boa qualidade do representante, estão aí alguns exemplos de vereadores de um mandato só que mostram que o despreparo ou a ignorância são tão nocivos quando a má fé.

Mas também é inegável que a entrada de pessoas novas traz necessidades, visões, e até erros novos. E nesse caso, até os erros novos são interessantes, historicamente falando.

Eu acredito na alternância de governantes. Acredito que a democracia deve ser feita por muitos representantes e, sendo assim, não é bom negócio transformar os cargos eletivos em negócio de família. Quem sabe assim, os partidos voltam a ter força e importar, pelo menos, tanto quanto o candidato.

Afinal, é o partido que tem ideologia, caminho e história conhecidos e registrados. Pessoas não, podem mudar de ideia facilmente e mudar de um lado para o outro sem se importar com quem apostou no primeiro caminho prometido por eles.