sábado, 24 de fevereiro de 2007

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007

Policiais são aconselhados a ter armas “frias”

Policiais paraibanos recém entrados na corporação da Polícia Militar admitem já usar armas frias além das que recebem do Comando. Segundo eles, os colegas veteranos aconselham os novatos a “arrumar” armas sem registro para facilitar sua vida no trabalho e para “sua segurança”. Este tipo de conselho gera um comércio paralelo de armas de fogo e munição que, além de dificultar investigações, alimenta o tráfico de armas que vão parar nas mãos de civis.

Este assunto veio à tona depois que o capitão da Polícia Militar da Paraíba, Neubon Nascimento de Lima, foi detido, em 11 de fevereiro, no município de Capitão Leônidas Marques (PR) com grande quantidade de munição, duas armas de fogo, medicamentos, perfumes, além de vários equipamentos eletrônicos contrabandeados do Paraguai. Ele teria afirmado à Polícia Rodoviária que os produtos eram para a Polícia Militar da Paraíba.

No entanto, o secretário de Segurança e Defesa Social do Estado, Eitel Santiago, apressou-se em negar as informações dizendo que “a polícia da Paraíba não é rica, mas tem condições de comprar munição e equipar o quadro”. O secretário, que tomou posse no dia 22 de janeiro, já disse em várias ocasiões que não vai permitir a ação de “maus policiais que sujam o nome da corporação”.

Segundo o PM T. L., que preferiu não se identificar, as armas e balas da corporação são ruins e muitas vezes não funcionam a contento. Além disso, “cada tiro disparado com a arma da Polícia precisa ser explicado em relatório”, contou. O procedimento seria para que o Comando tivesse controle sobre as ações de seus homens, mas com armas e munição sem número de registro para identificação, ou frias como eles mesmo chamam, esse controle deixa de acontecer abrindo brechas para o mau uso do equipamento.

Para o recém ingresso na corporação M., que também não quis ser identificado, todos os policiais têm armas frias. “Quando um bandido morre ou é atingido por uma bala fria, é só dizer que alguém atirou nele e não um policial, porque não tem registro”, explicou. O mesmo “procedimento” acontece quando um civil é atingido por uma bala perdida. Os policiais acabam usando armas sem identificação para se livrar dos procedimentos de controle e defesa da população.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007

Folia de Rua está no buraco, diz ex-presidente Ana Gondim

Senhores,

gostaria de aproveitar o espaço para reproduzir o texto de uma amiga e colega de trabalho que achei muito legal. Segue o texto na íntegra de Edilma Mota:


A ex-presidente e fundadora da Associação Folia de Rua, Ana Gondim, defende uma intervenção imediata na entidade. Ana denuncia que o Folia de Rua "está no buraco" e sugere a instalação de uma comissão que faça uma auditoria na instituição. "Os sócios têm que acordar e se for o caso, pedir uma ajuda até para o Ministério Público. É necessário intervir nesta gestão", declarou.

Ana Gondim disse que só pretendia falar sobre a crise no Folia de Rua depois da prévia carnavalesca de 2007. No entanto, não agüentou e quebrou o silêncio nesta sexta-feira (9) durante entrevista ao programa CBN João Pessoa (1230 AM).

Apesar de ser sócia, Ana confessou que está afastada da Associação desde que Lis Albuquerque assumiu a presidência da entidade, em 2004. "Me afastei por não acreditar na capacidade dos novos gestores e infelizmente eu estava certa. O Folia de Rua está um caos e não adianta querer disfarçar esta realidade", desabafou mais tarde ao repórter Valter Nogueira, da 98 FM.

Segundo ela, os blocos este ano estão enfrentando muitas dificuldades para participar da prévia. Faltam recursos e de acordo com Ana os apoios não vieram porque os projetos não foram aprovados junto aos fundos de incentivo à cultura por falta de prestação de contas da Associação.

"Faz três anos que não tenho conhecimento de uma prestação de contas. Eu e outros sócios com quem tenho conversado", disse. Ana declarou que até a gestão de Fuba, o Folia de Rua desfrutava de auto-estima, respeito e tinha as contas em dia, aprovadas pelo Tribunal de Contas do Estado.

Para se ter uma idéia da crise na instituição, o bloco "Os Imprensados", formado por profissionais da imprensa paraibana e um dos primeiros a integrar o projeto desistiu de desfilar este ano alegando falta de condições.

De acordo com o presidente da Associação Paraibana de Imprensa (API), João Pinto, a associação ofereceu apenas uma orquestra para o desfile e descartou qualquer outro tipo de apoio; o que acabou inviabilizando a saída do bloco.

"As Virgens de Tambaú", o maior bloco do Folia de Rua, depois da desfiliação do "Muriçoças do Miramar", chegou a desfilar com 14 trios elétricos. Ano passado o bloco contou com nove e este ano vai sair com apenas dois trios.

A abertura oficial da programação do Folia de Rua será nesta sexta-feira, no Centro Histórico da Capital a partir das 18h, quando desfilarão vários blocos, entre eles O Picolé de Manga e o Anjo Azul, os mais tradicionais. A prévia só termina no sábado de Carnaval (17) e conta com a participação de 32 blocos associados e 28 convidados.