Policiais são aconselhados a ter armas “frias”

Policiais paraibanos recém entrados na corporação da Polícia Militar admitem já usar armas frias além das que recebem do Comando. Segundo eles, os colegas veteranos aconselham os novatos a “arrumar” armas sem registro para facilitar sua vida no trabalho e para “sua segurança”. Este tipo de conselho gera um comércio paralelo de armas de fogo e munição que, além de dificultar investigações, alimenta o tráfico de armas que vão parar nas mãos de civis.

Este assunto veio à tona depois que o capitão da Polícia Militar da Paraíba, Neubon Nascimento de Lima, foi detido, em 11 de fevereiro, no município de Capitão Leônidas Marques (PR) com grande quantidade de munição, duas armas de fogo, medicamentos, perfumes, além de vários equipamentos eletrônicos contrabandeados do Paraguai. Ele teria afirmado à Polícia Rodoviária que os produtos eram para a Polícia Militar da Paraíba.

No entanto, o secretário de Segurança e Defesa Social do Estado, Eitel Santiago, apressou-se em negar as informações dizendo que “a polícia da Paraíba não é rica, mas tem condições de comprar munição e equipar o quadro”. O secretário, que tomou posse no dia 22 de janeiro, já disse em várias ocasiões que não vai permitir a ação de “maus policiais que sujam o nome da corporação”.

Segundo o PM T. L., que preferiu não se identificar, as armas e balas da corporação são ruins e muitas vezes não funcionam a contento. Além disso, “cada tiro disparado com a arma da Polícia precisa ser explicado em relatório”, contou. O procedimento seria para que o Comando tivesse controle sobre as ações de seus homens, mas com armas e munição sem número de registro para identificação, ou frias como eles mesmo chamam, esse controle deixa de acontecer abrindo brechas para o mau uso do equipamento.

Para o recém ingresso na corporação M., que também não quis ser identificado, todos os policiais têm armas frias. “Quando um bandido morre ou é atingido por uma bala fria, é só dizer que alguém atirou nele e não um policial, porque não tem registro”, explicou. O mesmo “procedimento” acontece quando um civil é atingido por uma bala perdida. Os policiais acabam usando armas sem identificação para se livrar dos procedimentos de controle e defesa da população.

Comentários

Jady disse…
Belo exemplo, belo exemplo :(

xêro em tu.... E como tá a vida de casado?