domingo, 28 de março de 2010

Fotojornalismo e as verdades instantâneas

Esta semana um flagrante inusitado e lindo surgiu da nuvem de fumaça e violência que se transformou o protesto dos professores estaduais em São Paulo. No meio da confusão, entre bombas de gás, porretes, paus e pedras, surge um homem, à primeira vista um professor, trazendo nos braços uma Policial Militar ferida para longe da luta.


A foto se tornou um exemplo, uma lição, um tapa na cara do governador José Serra, por mostrar que mesmo mal pagos e apanhando, os professores são seres humanos melhores do que ele, que manda acabar com protesto grevista na pancada.

Mas a história não acabou aí. A resposta do governo foi através de nota da Polícia Militar que garante que o homem barbado na foto é, na verdade, um policial a paisana infiltrado entre os manifestantes. Mas o estranho da nota é que o nome, patente e função da polícial ferida foram divulgados na nota. O do seu salvador, não.

Tudo bem, é possível que isso seja verdade. Não seria a primeira vez que a PM usaria homens infiltrados, mas há quem diga que esta nota é apenas uma forma desesperada de não permitir mais esta desmoralização do governador de São Paulo.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Justiça ou covardia?

E acontece novamente. Desta vez em João Pessoa. Trio tenta assaltar casa em que acontecia uma festa, mas uma vez desarmados, foram espancados e um deles morreu e outro precisou ser hospitalizado. O terceiro fugiu, mas foi preso mais tarde.

O senso comum diz logo que "eles mereceram", mas há informações faltando aí. É importante saber que apenas um dos três estava armado, um homem de 30 anos, os outros dois, um de 19 e outro de 15 anos, estavam desarmados, e justamente estes dois é que foram espancados, sendo que o adolescente morreu ainda no local.

Outra informação é de que entre os integrantes da festa havia alguns praticantes de jiu-jitsu. Será que eles não conheciam nenhuma técnica de aprisionamento não letal? Além disso, eram cerca de dez pessoas contra os dois, já que o que tinha a arma fugiu do local. Será que não dava para segurar os assaltantes e entregá-los à Polícia?

Tem ainda uma outra questão que, seu eu fosse delegado levantaria, a situação encontrada pela Polícia era de um homem morto e outro muito ferido indo para o hospital de ambulância e seus agressores dizendo que haviam apenas se defendido de um assalto. Ora, é a versão dos agressores, não necessariamente a verdade. Como o ferido e o morto eram pobres do bairro São José "fica fácil" acreditar que eles eram ladrões e confirmar a história do assalto.

Não estou querendo dizer que a história é falsa, muito menos que os integrantes da festa que agrediram os assaltantes não o fizeram em legítima defesa. Quem sou eu para tirar estas conclusões, mas se os ladrões fossem da classe média ou alta, filhos de policiais ou até políticos locais, será que a possibilidade de briga ou até de comercialização de drogas não estaria entre as teses a serem investigadas?

E mesmo que tudo esteja sendo contado como foi de verdade, se tudo é como aparenta, será que a morte era mesmo a pena mais justa para este adolescente desarmado? Será isso o que chamam de Justiça?

No fim, amigos, eu torço que a família Nardoni seja mesmo culpada, porque a esta altura, com o envolvimento da nossa imprensa completamente passional, não há mais como os dois não serem condenados, culpados ou não.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Retrato da covardia

O estudante Felipe de Oliveira Iasi, da classe média-alta, é o retrato da maioria dos brasileiros: egoísta, submisso, irresponsável, que prefere descumprir leis do que se engajar para mudá-las, covarde, enfim. Ele levou o assassino do cartunista Glauco até o local do crime e de lá, segundo ele, fugiu antes do desfecho brutal.

Em entrevista à Rede Globo, Felipe disse que conhecia o assassino Carlos Eduardo de rodas de maconha e de mesas de bar, e que no fatídico dia teria saído para fumar um cigarro de maconha. Ele contou ainda que foi ameaçado com uma arma para ajudar no transporte e que o assassino pretendia "apenas" sequestrar o cartunista.

Segundo ele, assim que teve chance, fugiu do lugar e correu direto para casa. Foi dormir. Nem sequer lhe ocorreu chamar ou avisar a Polícia. Isso depois ter visto o que acontecia na casa e não ter feito nada para impedir o "amigo". "O que ela queria que fizesse? Enfrentasse de peito aberto?", questionou o covarde.

Segundo a Globo, a viúva de Glauco, Beatriz Galvão, reclamou do comportamento de Felipe: “Enquanto o Cadu fazia toda essa barbaridade ele ficou sentado no sofá. Entendeu? Eu falei ‘ajuda’ e ele fez que não com a cabeça”, disse.

Felipe disse não ter feito nada. É verdade e é mentira, afinal, ele fez sim, levou o assassino até a casa de Glauco para matá-lo. E não, ele não fez nada para impedir que a violência ocorresse. Assim, ele foi submisso quando poderia ter persuadido o amigo da ideia e foi omisso quando não fez nada para impedí-lo uma vez lá.

Mas o pior, e que mostra melhor o caráter de uma pessoa como esta, Felipe, não Carlos Eduardo, foi quando ele fugiu deixando a família na mira de um louco e foi para casa dormir. Nem chamar a polícia chamou! Nem que fosse anonimamente. Nada! "Umas 10h eu acordei, entrei na internet e qual a primeira coisa que eu vejo? Que os dois tinham morrido", contou.

É bom não esquecermos esta história, porque Felipe de Oliveira Iasi é o retrato da covardia. É o retrato do brasileiro médio de hoje e que é preciso mudar.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Efraim Morais lidera ranking de Senadores paraibanos com mais faltas não justificadas

Nossos senadores são sempre bons exemplos... Leia a notícia na íntegra abaixo:
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Segundo levantamento feito pelo site Congresso em Foco, com números da própria Secretaria Geral da Mesa, o senador com mais faltas não justificadas foi o próprio líder do Senado, o senador José Sarney (PMDB-AP). Na Paraíba, Efraim Morais (DEM) lidera em número de faltas seguido por Roberto Cavalcanti (PRB).

O líder do senado contesta os números oficiais, afirmando que, segundo sua agenda pessoal, o número de faltas injustificadas foram 10 e não 20 como anunciou o levantamento. De acordo com o porta-voz de Sarney, Francisco Mendonça, três das 10 faltas alegadas (2, 3 e 4 de junho) se deram em razão da cirurgia sofrida pela filha de Sarney, a então senadora Roseana Sarney, acompanhada por ele naquele mês.

“O presidente fez questão de não pedir licença, porque achou que era uma questão pessoal. Ele estava muito transtornado na época”, lembra Mendonça, em referência ao escândalo dos atos secretos, que pôs, por mais de um semestre, o senador no epicentro das denúncias em 2009, quase custando seu posto.

O senador Efraim Morais é o campeão de faltas não justificadas com 5,8% das faltas totais, seguido dos senadores Roberto Cavalcanti com 3,4%. Em seguida vem o senador Cícero Lucena (PSDB) com 2,5% do número total de faltas.

Porém, no número total de faltas o ranking muda com o senador tucano liderando com 33 faltas em 121 sessões, sendo 30 faltas justificadas e 3 não justificadas, em seguida vem o democrata Efraim Moraes, com 22 faltas em 121 sessões, 15 delas justificadas e 7 injustificadas, por último o senador Roberto Cavalcanti com 22 faltas em 116 sessões, sendo 18 justificadas e 4 injustificadas.