Democracia e soberania

Até já escrevi sobre esse tema neste espaço, mas o Brasil de hoje me obriga a ser repetitivo. A soberania é de suma importância para a independência dos povos. Para o bem e para o mal, muitas questões devem ser definidas internamente, através de disputas eleitorais ou mesmo de revoluções. Não cabe a terceiros definir os caminhos de sociedades que não são a sua.

Obviamente que há exceções e, normalmente, as nações independentes podem pedir ajuda internacional para se livrar de pragas ideológicas como o nazismo e o sionismo, que, aliás, já são de origem também externa. No entanto, via de regra, a população soberana deve ser responsável por seu destino.

Acontece que alguns países têm por prática histórica interferir na política e economia de outras nações em benefício próprio. Estados Unidos da América hoje faz o que várias bandeiras europeias já fizeram em outras épocas. Rússia, China, Japão também já estiveram nessa posição de influenciar seus vizinhos ou parceiros comerciais.

Mas os estadunidenses, que já estão no topo do mundo há uma centena de anos, especializaram-se em intervir nos governos que lhes fazem qualquer tipo de oposição usando dos mais esdrúxulos subterfúgios. Vide incursão para levar “democracia a Cuba”, “armas de destruição em massa” no Iraque, “guerra no Afeganistão” e o sequestro de Maduro, na Venezuela, para citar apenas as empreitadas militares mais recentes.

Há ainda a forma como a CIA criou (e cria) falsas revoluções e levantes para desestabilizar os governos e criar caos social para forçar mudanças políticas, como o ilegal impeachment no Brasil de 2016 ou a artificial revolução no Irã no último ano. A consequência é, invariavelmente, a de terra arrasada. Muitos anos de tecnologia perdidos, ouro ou petróleo roubados e retrocesso social. Frutos positivos apenas para os invasores ianques.

Nesta semana veio a público um relatório reservado da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), enviado à Presidência da República, ao TSE e ao Ministério da Justiça, informando que a possibilidade de interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras alcançou um nível de criticidade.

O documento alerta para uma intensificação seletiva e reconfiguração da pressão exercida pelos Estados Unidos sobre o país. As informações, reveladas por uma colunista da Folha de S.Paulo, e confirmadas pelo O Globo, dão conta de uma tendência de escalada de pressão sobre o Brasil.

Segundo a Abin, o presidente Donald Trump planeja reduzir a influência de potências rivais dos EUA na América Latina, dificultando e até barrando o acesso a ativos estratégicos, riquezas naturais e infraestruturas na região. E o Brasil se destaca nesse contexto justamente por ter meios de defender sua autonomia estratégica.

A agência cita, como exemplo disso, as sanções dadas a brasileiros e empresas com sede no Brasil por supostos vínculos com redes de lavagem de dinheiro associadas ao PCC e avalia que a interferência dos Estados Unidos ocorre de modo gradual, combinado e adaptativo.

Isso tudo acontecendo a pouco mais de 10 dias de uma eleição que escolherá nosso presidente por quatro anos, além de congressistas e legisladores, que agem diretamente nas políticas econômicas e sociais, garantindo, ou não, a autonomia e soberania do nosso país.

*Texto publicado originalmente na edição de 23 de setembro do jornal A União.

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