Até que demorou para começar: Folha e Globo regulam Twitter de funcionários

Os funcionários da Folha de S. Paulo e da Rede Globo receberam, esta semana, comunicados que impõem uma série de restrições ao uso do Twitter.

No caso do jornal impresso, a recomendação serve para os autores não anteciparem “furos” jornalísticos na rede de microblog (a mesma norma vale para blogs) e não assumirem posições partidárias; limitando-se a, eventualmente, “fazer rápida menção para texto publicado no jornal, com remissão para a versão eletrônica da Folha”.

A informação foi adiantada anteontem pelo jornalista José Roberto de Toledo e diretor do PrimaPágina, que colabora com vários veículos de comunicação, entre eles, a Folha. No seu blog, Toledo escreveu também que os trabalhadores “não devem colocar na rede os conteúdos de colunas e reportagens exclusivas”, por serem reservados apenas aos leitores da Folha e assinantes do UOL.

Coincidência ou não, a Globo, ontem, também enviou um comunicado interno a fim de normatizar o uso das mídias sociais, de acordo com o blog Radar On-Line, da Veja. As regras da emissora, porém, são um pouco mais rigorosas.

É proibido, agora, “a divulgação ou comentários sobre temas direta ou indiretamente relacionados às atividades ligadas à Globo; ao mercado de mídia ou qualquer outra informação e conteúdo obtidos em razão do relacionamento com a Globo”.

Sob a alegação de proteger seus “conteúdos da exploração indevida por terceiros, assim como preservar seus princípios e valores”, a emissora diz que seus contratados só poderão ter blog e Twitter vinculados a outros veículos de comunicação mediante autorização da Globo.

Pelo que se pode entender, isso significa que os artistas da Globo, que, em geral, possuem milhares de seguidores, não possam mais comentar sobre a rotina na emissora, ou sobre algum programa veiculado numa concorrente. E seus blogs, hospedados em outro lugar fora dos domínios da Globo, talvez, deixem de existir.

É o primeiro movimento de grandes veículos de comunicação nacionais para criar uma cartilha restritiva sobre o uso do Twitter. Nos Estados Unidos, a ESPN, mês passado, proibiu que seus funcionários “tuítassem” informações e opiniões esportivas em seus perfis. A justificativa foi a mesma das nacionais Globo e Folha de S.Paulo: preservação e exclusividade de conteúdos.

The New York Times e CBS, todavia, navegam em outra maré. Muitos dos seus funcionários possuem blogs e perfis no Twitter, que servem como complementação dos conteúdos publicados pelas “mídias oficiais”.

Da Info Plantão

Comentários

Ricardo Oliveira disse…
Tosquices de empresas que sempre tiveram posturas toscas em relação ao jornalismo. Não que seu jornalismo seja de todo ruim. Mas, vamos lá...